FRATERNIZAR – O QUE FAZ CORRER O PAPA FRANCISCO? – por Mário de Oliveira

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Trocou momentaneamente Roma por Jerusalém

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O que faz correr o papa Francisco até à terra que ele teima em chamar “santa”? Não é, antes, assassina e genocida, até? Há séculos e séculos que aquela terra é palco de sucessivos assassínios em massa e genocídios. E será que algum dia vai deixar de o ser? Esta “peregrinação” papal não só não traz a almejada paz, fruto da justiça e da verdade, como poderá trazer ainda mais guerra. É sabido que dos poderosos unidos, nunca vem a paz como fruto da justiça e da verdade. Só a paz dos vencedores, a única que este tipo de mundo do Poder conhece, onde os súbditos nunca chegam a criar condições para se rebelarem politicamente. Os vencedores unidos sabem muito bem como manter os súbditos divididos e desorganizados, para melhor continuarem a reinar sobre eles. Sem grandes custos financeiros. Basta-lhes os grandes media, as religiões, as igrejas, as escolas, mais a polícia e as forças armadas. E até os partidos políticos de direita e de esquerda reconhecidos/financiados por eles.

O que faz correr o papa Francisco? O que pretende esconder com esta sua “peregrinação à Terra Santa” (as palavras são dele, não minhas)? Porque faz questão de lhe chamar “peregrinação”, quando o Poder é intrinsecamente incapaz de peregrinar? E o papa é Poder. O Poder! Quando viaja, nunca é para peregrinar, de resto, um verbo que nunca tem o Poder como sujeito. Só as vítimas e os súbditos peregrinam e rastejam nos grandes santuários, vendedores de ópio religioso, o mais descriador do humano. Não é por demais público e notório? Ao chamar peregrinação a esta sua deslocação a Belém e a Jerusalém, cidades erguidas sobre sangue, não só o dos antigos profetas bíblicos e o de Jesus, o filho de Maria, mas também o dos sucessivos povos lá nascidos e residentes, sistematicamente sacrificados às desmedidas ambições do Poder, o papa comete uma desonestidade intelectual e um insulto aos povos, por sinal, uma postura típica do cristianismo, perito em encenações, em liturgias, em rituais, em fazer do crime, um acto heróico, do pecado, um acto santo, do hediondo assassinato de Jesus, um sacrifício de redenção da humanidade. E tudo, sem que ninguém o chame a contas, porque a sua ideologia e teologia andam infiltradas, como um vírus, nas mentes/consciências das populações, inclusive, dos ateus que o são das religiões, mas não do Poder.

O que faz correr o papa? O mito bíblico do messias e do povo eleito, que ele aceita como verdade e insiste em impor aos seus súbditos, é gerador de aberrações sobre aberrações como as reiteradamente cometidas nessa “Terra Santa”, em cujo subsolo fervilha o sangue de populações esmagadas, passadas ao fio da espada, queimadas vivas, crucificadas, despedaçadas a tiro de canhão e de bombas lançadas de cima para baixo pelos aviões da morte. O próprio estado de Israel não tem o seu arsenal de bombas nucleares? Não tem o Poder financeiro? Jerusalém, cidade santa? Podem as chamadas religiões do livro – o judaísmo, o cristianismo e o islamismo – qual delas a mais perversa e cheia de sangue derramado, reivindicar o direito àquele chão. Mas não podem chamar-lhe cidade santa, a menos que, para elas, o santo seja igual a campeão da perversidade e da inumanidade. De outro modo, será branquear a história e atirar terra aos olhos das populações, para que não vejam a realidade, por demais hedionda.

Não podemos esquecer que o papa é o chefe de estado do Vaticano e, por força dessa sua condição, é que é recebido e protegido por milhares e milhares de polícias fardados e à civil, inúmeros atiradores especiais estrategicamente colocados nos locais por onde ele tem de passar. Peregrino, o papa? Não nos façam rir! Temido chefe de estado do Vaticano, é o que ele é. Um estado pequeno em território, mas poderoso até dizer basta. Todos os demais estados das nações fazem questão de estar de bem com ele e com o seu chefe de turno, neste momento, o papa Francisco. Por mais que este se esforce em dar ao estado do Vaticano um rosto humano, acaba, até, por ser ainda mais sádico, já que, desse modo, engana a muitos mais. As multidões aclamam-no, porque o confundem com um homem bom e bem intencionado. Mas essa é a mascara de que o estado do Vaticano, neste momento histórico, mais necessitava. E ele presta-se, como nenhum outro, a fazer esse papel, com grande sucesso, o que lhe vai valer a súbita canonização, depois de morrer. Melhor fora, por isso, para ele, não ter nascido, do que ter nascido para fazer este papel, nos antípodas de Jesus, o paradigma do ser humano pleno e integral, por isso, crucificado. São estas abissais fugas e traições ao Humano, que geram e garantem continuidade a este tipo de mundo, onde o Poder é o rei e os seres humanos, todos seus súbditos.

Nunca chegaremos a saber o que o papa Francisco foi fazer e conseguir nesta sua deslocação àqueles países, onde a guerra é o pão amargo e assassino de cada dia. Chega a ser inexplicável como é que ainda há pessoas que aceitam viver lá e dar à luz filhas e filhos naquelas terras. A verdade é que há sonhos e projectos messiânicos que acorrentam as populações e não as deixam ser-viver longe dali. São sonhos e projectos contra a humanidade que não as deixam ver a realidade. O messianismo = cristianismo tem esse terrível condão. O hoje de cada dia não conta, o que conta é o amanhã, que nunca chega a ser o hoje. E, depois, ainda se atreve a chamar esperança, a semelhante concepção. Nada mais perigoso e envenenado para as populações que o messianismo = cristianismo. É a grande arma de domesticação que o Poder inventou e com que mantém politicamente desmobilizadas as populações. As quais, depois de sucessivas gerações, já nem sequer querem ouvir falar de outro modo de ser-viver. Chegam, até, a molestar-se, se alguém lhes vem dizer que semelhante ser-viver não o chega a ser verdadeiramente. Ficam furiosas e exigem a morte do mensageiro, da forma mais ignominiosa! Pois bem, é também para manter e reforçar este estado de coisas que o papa Francisco viajou até Jerusalém e protagonizou todo o folclore mediático que é habitual neste tipo de ritual cristão católico romano. Acordemos!

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