ALLEN GINSBERG PRESENTE! por Clara Castilho

livrolivros2Allen Ginsberg (1926-1997),  poeta norte-americano da segunda metade do século XX, rebelde romântico e poeta-anarquista contemporâneo, a celebridade mundial, o poeta maldito, o marginal, que desceu ao inferno, foi xamã, budista, líder de movimentos sociais dos anos 60 em diante, e um permanente animador cultural. Criou a Naropa Institute, a universidade alternativa que criou e dirigiu até o fim da sua vida.

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O impacto provocado pelo lançamento de Howl and other poems, em 1956, assim como  de On the Road, de Kerouac, em 1957, e de outras obras representativas da literatura beat, teve frutos na forma de escrever. Desde 2002, existe o Allen Ginsberg Project” que pretende difundir a visão do mundo que Allen tinha, desenvolvendo-a agora, através das formas que a internet permite. Com um grande legado de textos, fotos, gravações e outros materiais, permite um intercâmbio de ideias incalculável (http://allenginsberg.org)

 Arte é ilusão, pois eu não ajo


Fico ou Parto – com constante alegria
Meus pensamentos, embora céticos, são sagrados
Santa prece para o conhecimento ou puro fato.

Então enceno a esperança de que posso criar
Um mundo vivo em torno de meus olhos mortais
Um triste paraíso é o que imito
E anjos caídos cujas asas perdidas são suspiros.

Neste estado não mundano em que me movimento
Minha Fé e Esperança são diabólica moeda corrente
Em mundos falsificados, cunho pequenos donativos
Em torno de mim, e troco minha alma por amor.

 

 

1 Comment

  1. Atenção às traduções brasileiras! E ao Aborto Ortofágico…

    Original de Ginsberg:

    «Art is illusion, for I do not act
    — Dwell or Depart — with faithful merriment,
    My thoughts, though skeptic, are in sacrament,
    Holy prayer for knowledge of pure fact.

    So I enact the Hope I can create
    A lively world around my deadly eyes
    Sad paradise it is I imitate,
    And fallen angels whose lost wings are sighs.

    In this unworldly state wherein I move
    My Faith and Hope are hellish currency:
    In counterfeit worlds, I coin small Charity
    About myself, and trade my soul for Love.»

    Não que a tradução seja muito má, pois tenta (embora não consiga) um certo equilíbrio entre o significado e aproximação à forma poética original. Mas só não apresentará perplexidades, ou pelo menos obstaculizará uma boa leitura, para um leitor brasileiro…
    Mesmo sem uma forte rejeição, discordo da tradução de “faithful” por “constante” e, dado o sentido que a palavra portuguesa adquiriu, é mesmo inadmissível traduzir “unwordly” por “mundano”: será mais algo que tenha a ver com “fora (ou desligado) do Mundo”, “não terreno”, “imaterial”, eventualmente “espiritual” (não “estado de espírito”). Teria de analisar o poema com muito mais atenção e, pelo menos para a minha ignorância, várias escolhas seriam possíveis, com sentidos diferentes, mesmo ligeiramente, tornando difícil a decisão.

    Mas:
    “pensamentos (…) céticos”? Se acético é sinónimo de acre ou azedo, cético será o quê? Doce?
    De facto, em português, “cético” não sobrevive, na escrita: “céptico” sim, por muito que o AO dê ao rabo…
    E “fato”? Será de cerimónia ou de banho? Aqui, pode criar mesmo uma dúvida: seria aceitável que o autor quisesse referir-se a um “fato”, uma “veste”, um disfarce ou cobertura de nudez (física, metafórica…). Mas não: de facto, é de “facto” que se trata; e, em português de Portugal, o “c” até se pronuncia (até agora… enquanto os estragos do Abortinho não chegarem até ele)!

    Neste 4.º verso há mesmo um erro, que pode ser de transcrição (e, uma vez caída no caldo de incultura da “net”, a asneira nunca mais pára, antes a repetem asnática e infinitamente): não é “ou puro facto”, mas “do puro facto”!

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