FERNANDO DA ROCHA PERES
( 1936 )
COLHEITA
É devagar que se faz amor,
vagarosa semeadura no princípio,
e lavra contida no peito
para a explosão;
crescem os girassóis de Van Gogh.
É jardinagem fazer amor.
Uma flor molhada, negros pêlos,
as saliências
os interstícios
odores de sêmen misturado,
de tudo necessita o corpo,
e a paz que vem depois
é onde se planta o amor.
(de “Febre terçã”)
Poeta e historiador, autor do ensaio “Gregório de Mattos e Guerra: uma re-visão biográfica” (1983). Com Glauber Rocha e outros fundou as “Jogralescas” (poesia teatralizada). Da sua obra poética: “Poemas bissextos” (1972), “Mr. Lexo-Tan e outros poemas” (1996), “Febre terçã” (2000), “Horta de Poesia” (Poemas portugueses, 2013).

