POESIA AO AMANHECER – 457 – por Manuel Simões

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FERNANDO DA ROCHA PERES

( 1936 )

COLHEITA

 

É devagar que se faz amor,

vagarosa semeadura no princípio,

e lavra contida no peito

para a explosão;

crescem os girassóis de Van Gogh.

É jardinagem fazer amor.

Uma flor molhada, negros pêlos,

as saliências

os interstícios

odores de sêmen misturado,

de tudo necessita o corpo,

e a paz que vem depois

é onde se planta o amor.

 

(de “Febre terçã”)

 

Poeta e historiador, autor do ensaio “Gregório de Mattos e Guerra: uma re-visão biográfica” (1983). Com Glauber Rocha e outros fundou as “Jogralescas” (poesia teatralizada). Da sua obra poética: “Poemas bissextos” (1972), “Mr. Lexo-Tan e outros poemas” (1996), “Febre terçã” (2000), “Horta de Poesia” (Poemas portugueses, 2013).

 

 

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