EDITORIAL – A CENSURA EXERCIDA PELO PODER

 

A liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais das sociedades logo editorialdemocráticas.  Há a possibilidade de queixa por crime de difamação ou pedidos de indemnização cível por ofensa ao bom nome. Consideramo-la um valor colectivo. A censura e a falta de liberdade de expressão foi uma das coisas contra as quais lutámos no fascismo. Vem isto a propósito do desmaio de Cavaco Silva. Ontem, uma médica fazia, nas redes sociais, um comentário “técnico” do que observara no dia 10 e em outras situações públicas do nosso Presidente da República.

Horas depois, desaparecia do facebook o comentário nas contas de quem o partilhara. Mais tarde apareceu um artigo no ionline que publicava o mesmo texto, acrescentando o misterioso desaparecimento de certas posts que criticam os órgãos do poder se tratava de censura, pura e dura. Hoje, tentámos voltar a ler o texto e… dava erro, não se podia a ele ter acesso!

Pode questionar-se se a democracia em que vivemos o é de facto. Assistimos ao avanço do fascismo em toda a Europa, apoiado pelos interesses económicos das grandes potências. Agora, neste canto do mundo, não são necessárias armas físicas, nem de bombas. As que há vão sendo passadas, de guerra em guerra, de novo de acordo com os interesses capitalistas, acabando em mãos de quem as vai, certamente utilizar, eventualmente contra nós próprios…. Por aqui a guerra é a da opressão e domesticação social. É a da pressão, é do stress, é a do empobrecimento, é a do desespero que leva até ao suicídio. Só nos primeiros quatro meses deste ano, 294 pessoas puseram termo à vida ( maiores de 75 anos, em isolamento, com depressões e doenças crónicas incapacitantes, depois pessoas numa idade em que é difícil arranjar emprego: 45 a 64 anos…)

Falávamos, então, de censura nas redes sociais. Hoje, a internet é um veículo que permite trabalhar em conjunto, estando cada um em pontos diferente do mundo. Através dela muitas manifestações se iniciaram, em todo o mundo. Por ela soubemos do sequestro de duas filhas de um “rei” dos emiratos árabes. Nela se podem fazer jornais online (em que ainda não ouve notícia de censura). Através dela são denunciadas falcatruas e se violam os chamados “segredos” de estado. Também através dela se entram em contas bancárias e se subtrai dinheiro. Pode ser uma espécie de “guerrilha”, a favor de qualquer lado que a saiba usar.

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