Poema: William Shakespeare; trad. Vasco Graça Moura (ligeiramente adaptado) [tradução ipsis verbis >> abaixo]
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Sensus”, Universal Classics France, 2003)
Faz só meu nome teu amor e amor; e amas-me então pois eu te chamo Ardor.
Se a alma te reprova eu venha perto, jura à cega, que o teu ardor eu fosse; ardor tem, como saber, sítio certo e assim me enchas, amor, medida doce.
Ardor enche de ardor e amor teu cofre, ai, lardeia-o de ardor!, e ardor apronto e bem prova que em vazadouro sofre: se o número é grande, eu só não conto.
Faz só meu nome teu amor e amor; e amas-me então pois eu te chamo Ardor.
Então que eu passe em grupo sem ser visto, sendo um nas contas dessa feitoria; tem-me em nada, se te agradar registo de que este nada em ti é doçaria.
Faz só meu nome teu amor e amor; e amas-me então pois eu te chamo Ardor.
Faz só meu nome teu amor e amor; e amas-me então pois eu te chamo Ardor.
* Custódio Castelo – guitarra portuguesa Alexandre Silva – viola Fernando Maia – viola baixo
Se a alma te reprova eu venha perto
(William Shakespeare; trad. Vasco Graça Moura, in “Os Sonetos de Shakespeare: Versão Integral”, Soneto n.º 136, Lisboa: Bertrand Editora, 2002 – pág. 283)
Se a alma te reprova eu venha perto, jura à cega, que o teu ardor eu fosse; ardor tem, como sabes, sítio certo e assim me enchas, amor, medida doce. Ardor enche de ardor e amor teu cofre, ai, lardeia-o de ardor!, e ardor apronto e bem prova que em vazadouro sofre: se o número é grande, eu só não conto. Então que eu passe em grupo sem ser visto, sendo um nas contas dessa feitoria; tem-me em nada, se te agradar registo de que este nada em ti é doçaria. Faz só meu nome teu amor e amor; e amas-me então pois eu me chamo Ardor.
Soneto Destruído
Poema: Vasco Graça Moura (de “Quatro Sonetos”, in “O Retrato de Francisca Matroco e Outros Poemas”, Lisboa: Quetzal Editores, 1998; “Poesia 1997/2000”, Lisboa: Quetzal Editores, 2000 – pág. 308)
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Sensus”, Emarcy/Universal Classics France, 2003)
Talvez logo na berma de uma estrada um par se beije transtornadamente e o destino os separe de repente entre as duas e as três da madrugada
talvez a lua fria os desinvente e só lhes traga sombras e mais nada e por saída só lhes dê a entrada para o túnel da noite à sua frente
[instrumental]
talvez então as faces se desolem talvez depois em cinza e solidão a aurora ponha um luto, talvez colem as nuvens o seu dorso rente ao chão
talvez por não ousar ninguém mereça o que viveu. Talvez não amanheça.
* Custódio Castelo – guitarra portuguesa; Alexandre Silva – viola, Miguel Carvalhinho – guitarra clássica; Fernando Maia – viola baixo
Arranjos e produção – Custódio Castelo; Co-produção – Fernando Nunes; Produção executiva – Yann Ollivier / Universal Classics France
Gravado e masterizado por Fernando Nunes, nos Estúdios Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos, entre Setembro e Dezembro de 2002