Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 7 -por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

Se a alma te reprova

Poema: William Shakespeare; trad. Vasco Graça Moura (ligeiramente adaptado) [tradução ipsis verbis >> abaixo]
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Sensus”, Universal Classics France, 2003)

Faz só meu nome teu amor e amor;
e amas-me então pois eu te chamo Ardor.

Se a alma te reprova eu venha perto,
jura à cega, que o teu ardor eu fosse;
ardor tem, como saber, sítio certo
e assim me enchas, amor, medida doce.

Ardor enche de ardor e amor teu cofre,
ai, lardeia-o de ardor!, e ardor apronto
e bem prova que em vazadouro sofre:
se o número é grande, eu só não conto.

Faz só meu nome teu amor e amor;
e amas-me então pois eu te chamo Ardor.

Então que eu passe em grupo sem ser visto,
sendo um nas contas dessa feitoria;
tem-me em nada, se te agradar registo
de que este nada em ti é doçaria.

Faz só meu nome teu amor e amor;
e amas-me então pois eu te chamo Ardor.

Faz só meu nome teu amor e amor;
e amas-me então pois eu te chamo Ardor.

* Custódio Castelo – guitarra portuguesa Alexandre Silva – viola Fernando Maia – viola baixo

Se a alma te reprova eu venha perto

(William Shakespeare; trad. Vasco Graça Moura, in “Os Sonetos de Shakespeare: Versão Integral”, Soneto n.º 136, Lisboa: Bertrand Editora, 2002 – pág. 283)

Se a alma te reprova eu venha perto,
jura à cega, que o teu ardor eu fosse;
ardor tem, como sabes, sítio certo
e assim me enchas, amor, medida doce.
Ardor enche de ardor e amor teu cofre,
ai, lardeia-o de ardor!, e ardor apronto
e bem prova que em vazadouro sofre:
se o número é grande, eu só não conto.
Então que eu passe em grupo sem ser visto,
sendo um nas contas dessa feitoria;
tem-me em nada, se te agradar registo
de que este nada em ti é doçaria.
Faz só meu nome teu amor e amor;
e amas-me então pois eu me chamo Ardor.

Soneto Destruído

Poema: Vasco Graça Moura (de “Quatro Sonetos”, in “O Retrato de Francisca Matroco e Outros Poemas”, Lisboa: Quetzal Editores, 1998; “Poesia 1997/2000”, Lisboa: Quetzal Editores, 2000 – pág. 308)
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Sensus”, Emarcy/Universal Classics France, 2003)

Talvez logo na berma de uma estrada
um par se beije transtornadamente
e o destino os separe de repente
entre as duas e as três da madrugada

talvez a lua fria os desinvente
e só lhes traga sombras e mais nada
e por saída só lhes dê a entrada
para o túnel da noite à sua frente

[instrumental]

talvez então as faces se desolem
talvez depois em cinza e solidão
a aurora ponha um luto, talvez colem
as nuvens o seu dorso rente ao chão

talvez por não ousar ninguém mereça
o que viveu. Talvez não amanheça.

* Custódio Castelo – guitarra portuguesa;  Alexandre Silva – viola,  Miguel Carvalhinho – guitarra clássica; Fernando Maia – viola baixo
Arranjos e produção – Custódio Castelo;  Co-produção – Fernando Nunes;  Produção executiva – Yann Ollivier / Universal Classics France
Gravado e masterizado por Fernando Nunes, nos Estúdios Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos, entre Setembro e Dezembro de 2002

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