Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 8 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

Cristal (Tinha Algum Vinho Ainda)

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 8-9; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 53)
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Ulisses”, Emarcy/Universal Music S.A.S. France, 2005)

[instrumental]

Tinha algum vinho ainda o copo que atirei
por cima do meu ombro e foi cair ao Tejo
de madrugada, amor, e havia esse lampejo
do fogo em teu olhar a impor-me a sua lei

da minha sombra à tua, em sombras pelo cais
tinha um som inda rouco o fado que eu cantava
tão perto já de ti, não sei se respirava,
nem se era para sempre ou para nunca mais

meu amor, meu amor, meu amor, por quanto me dizias
estranho murmurar levado pelo vento
por quanto era paixão e agora é desalento
o meu rosto estremece em águas tão sombrias

por quanta embriaguez então nos consumiu
fiquei como o cristal, mas creio que esqueceste,
do copo em que eu bebi e tu também bebeste
que foi cair ao rio e nele se partiu

meu amor, meu amor…

* Custódio Castelo – guitarra portuguesa;  Ricardo J. Dias – piano; Alexandre Silva – viola;  Fernando Maia – viola baixo;  Arranjos – Custódio Castelo e Ricardo J. Dias;  Produção – Custódio Castelo;  Co-produção e programação – Fernando Nunes:  Produção executiva – Yann Ollivier / Universal Music S.A.S. France;  Gravado e masterizado por Fernando Nunes, nos Estúdios Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos, entre Junho e Setembro de 2004

Tango

Poema: Vasco Graça Moura (in “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 92-93)
Música: Mário Laginha
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Kronos”, Emarcy/Universal Music Classics France, 2009)

Deixa-me enlaçar-te
quando a noite cai
quando os nossos passos
cruzam o destino,
quando em toda a parte
de entre as sombras sai
em soluços baços
choro repentino.

Pobre coração
tinto de amargura,
no vaivém mais triste
já foste e vieste.
Se na escuridão
tanta luz impura
noutros olhos viste,
porque o não disseste?

Ah, desesperado,
quanta hora perdida
foge a todo o pano
hoje em meu redor.
Tango incendiado
pela minha vida,
voz que em mim engano
mas que sei de cor,

luar entre os ramos,
aço de um punhal,
noite perfumada
de cruéis lampejos,
corpos que enlaçamos
nessa hora fatal,
alma entrecortada
de adeus e desejos.

Pobre coração,
tinto de amargura,
no tango mais triste
já foste e vieste.
Se na escuridão
tanta luz impura
noutros olhos viste,
porque o não disseste?

* Bernardo Couto – guitarra portuguesa;  Bernardo Moreira – contrabaixo;  Arranjos e produção musical – Ricardo J. Dias; Produção – Yann Ollivier / Universal Music Classics France;  Produção executiva – Olga Carneiro / ONC Produções;  Gravado e masterizado por Nelson Carvalho, nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos, em Novembro e Dezembro de 2008

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