Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 8-9; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 53)
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Ulisses”, Emarcy/Universal Music S.A.S. France, 2005)
[instrumental]
Tinha algum vinho ainda o copo que atirei por cima do meu ombro e foi cair ao Tejo de madrugada, amor, e havia esse lampejo do fogo em teu olhar a impor-me a sua lei
da minha sombra à tua, em sombras pelo cais tinha um som inda rouco o fado que eu cantava tão perto já de ti, não sei se respirava, nem se era para sempre ou para nunca mais
meu amor, meu amor, meu amor, por quanto me dizias estranho murmurar levado pelo vento por quanto era paixão e agora é desalento o meu rosto estremece em águas tão sombrias
por quanta embriaguez então nos consumiu fiquei como o cristal, mas creio que esqueceste, do copo em que eu bebi e tu também bebeste que foi cair ao rio e nele se partiu
meu amor, meu amor…
* Custódio Castelo – guitarra portuguesa; Ricardo J. Dias – piano; Alexandre Silva – viola; Fernando Maia – viola baixo; Arranjos – Custódio Castelo e Ricardo J. Dias; Produção – Custódio Castelo; Co-produção e programação – Fernando Nunes: Produção executiva – Yann Ollivier / Universal Music S.A.S. France; Gravado e masterizado por Fernando Nunes, nos Estúdios Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos, entre Junho e Setembro de 2004
Tango
Poema: Vasco Graça Moura (in “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 92-93)
Música: Mário Laginha
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Kronos”, Emarcy/Universal Music Classics France, 2009)
Deixa-me enlaçar-te quando a noite cai quando os nossos passos cruzam o destino, quando em toda a parte de entre as sombras sai em soluços baços choro repentino.
Pobre coração tinto de amargura, no vaivém mais triste já foste e vieste. Se na escuridão tanta luz impura noutros olhos viste, porque o não disseste?
Ah, desesperado, quanta hora perdida foge a todo o pano hoje em meu redor. Tango incendiado pela minha vida, voz que em mim engano mas que sei de cor,
luar entre os ramos, aço de um punhal, noite perfumada de cruéis lampejos, corpos que enlaçamos nessa hora fatal, alma entrecortada de adeus e desejos.
Pobre coração, tinto de amargura, no tango mais triste já foste e vieste. Se na escuridão tanta luz impura noutros olhos viste, porque o não disseste?
* Bernardo Couto – guitarra portuguesa; Bernardo Moreira – contrabaixo; Arranjos e produção musical – Ricardo J. Dias; Produção – Yann Ollivier / Universal Music Classics France; Produção executiva – Olga Carneiro / ONC Produções; Gravado e masterizado por Nelson Carvalho, nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos, em Novembro e Dezembro de 2008