EDITORIAL – Futebol, pois claro.

logo editorialQuer queiramos ou não, o campeonato do mundo de futebol assume um papel importante no quadro político, económico e social em que nos movemos. Não depende de que gostemos ou não da modalidade, mas sim do que objectivamente aquilo que for acontecendo nos estádios brasileiros significará para os povos de alguns dos países intervenientes. Em grau diferentes, consoante o nível de esclarecimento, a escolaridade média, o rendimento per capita… e os índices de corrupção. Panem et circenses, a formula denunciada há quase dois mil anos por Juvenal nas suas Sátiras, continua a ser eficaz.

Não foi por acaso que Lula da Silva e Dilma Roussef tanto apostaram na organização da Copa de   2014 e das Olimpíadas de 2016. Retorno financeiro, segundo alguns estudos especializados, não o haverá. Apostou-se, na melhor das hipóteses, num reforço da imagem que se pretende dar para o exterior – a de uma nação rica, pujante e com uma forte capacidade de concretização a todos os níveis. Muito se tem falado sobre este campeonato e sobre os milhares de milhões de dólares (ou de euros) que estariam melhor aplicados em obras infraestruturais de que o Brasil gritantemente carece. Quer na denúncia da ordem de prioridades do Governo, quer na sua defesa, se tem exagerado, feito contas erradas e tirado ilações de duvidosa transparência. A demagogia tem andado à solta em ambos os lados da barricada.

Eduardo Galeano, o humanista e escritor uruguaio, grande apaixonado pelo futebol, lamentou há tempos a «empresarialização» desta modalidade. E este vocábulo implica tudo o que de sinistro se relaciona com o modelo económico por que nos regemos – incluindo as manobras subterrâneas, as máfias.O que vai acontecendo nos relvados tem reflexos na vida quotidiana de milhões de pessoas, muito para além do que um simples jogo deveria ter. Vencer a Copa será bom para o povo brasileiro? Dará uma grande alegria a ‘milhões de corações brasileiros’, unindo nessa alegria muita gente que pensa de forma diferente – e muitos dos contestatários largarão as pedras e agitarão a bandeira. Há quem diga (Pelé, inclusive) que a despesa está feita, ao menos que se tenha a contrapartida da alegria pela vitória.

Em Portugal, bons resultados da equipa portuguesa, seria muito bom para um executivo governamental que, de desastre em desastre, caminha para uma triunfal tragédia nacional. Seria bom; mas os rapazes não estão a ajudar…

Ainda bem? Ainda mal?

 

 

 

1 Comment

  1. Quem num ’tá a ajudar, como de costume, é a Merkel, qu’eu bem n’avi, com o fatinho de montar (só faltavam as botas, mazera pra disfarçar o patrocínio nazi…), a comandar a “Mannschaft”! Até a barriguinha parecia a do “führer”…

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