A CRESCENTE FRAGILIZAÇÃO DA ECONOMIA PORTUGUESA E A INUTILIDADE DOS SACRIFÍCIOS DOS PORTUGUESES – por EUGÉNIO ROSA

Parte II

(conclusão)

EM 3 ANOS, AS REMUNERAÇÕES DO TRABALHO, EM TERMOS REAIS, CAÍRAM 10%

O gráfico 3, publicado no Relatório do Banco de Portugal de 2013 – Parte II, mostra a variação das remunerações reais em Portugal no período 1995-2013.

Gráfico 3 – FONTE: Relatório do Banco de Portugal – Parte II – 2013

fragilização - III

E da mesma publicação do Banco de Portugal, transcrevemos a seguinte passagem porque, além de insuspeita, é extremamente esclarecedora da inutilidade dos sacrifícios que estão a ser impostos aos portugueses:“ Neste quadro de deterioração acentuada das condições no mercado de trabalho, as remunerações do trabalho caíram, em termos reais, cerca de 10 por cento entre 2010 e 2013…. Esta evolução das remunerações do trabalho contribuiu em grande medida para a queda do rendimento disponível das famílias em 2011 e 2012. Em 2013, o maior contributo para a diminuição do rendimento disponível resultou do significativo aumento do IRS. Neste contexto, o rendimento disponível das famílias recuou em três anos para o nível observado em meados da década passada”(pág. 97, Parte II, Relatório do Banco de Portugal de 2013). Face a estas conclusões do próprio BdP, os comentários são inúteis.

DIVIDA PÚBLICA E DIVIDA DO PAÍS AO EXTERIOR CONTINUAM A AUMENTAR EM 2014

O quadro 1, com os últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal, no seu Boletim Estatístico de Maio-2014 mostra que, apesar de todos os sacrifícios impostos aos portugueses a divida tanto pública como ao estrangeiro não param de aumentar.

Quadro 1- Variação da Divida Pública e da Divida do País ao exterior entre 2010 e Mar.2014

fragilização - IV

Os dados do Banco de Portugal do quadro 1 mostram que a divida tanto pública como do país ao exterior tem aumentado de uma forma continua mesmo em 2014. Entre Dez.2010 e Mar.2014, a divida das Administrações Públicas aumentou de 185.844 milhões € para 258.486 milhões € (em % do PIB, subiu de 107,5% para 155%); a divida pública, na ótica de Maastritch (que não inclui a totalidade da divida pública, mas é a considerada pela União Europeia) cresceu de 162.473 milhões € para 220.684 milhões € (em % do PIB passou de 94% para 132,4%); e a divida do Portugal ao estrangeiro (Ativo-Passivo) aumentou de 185.221 milhões € para 205.158 milhões € (em % do PIB, subiu de 107,2% para 121,4%). Estes dados do Banco de Portugal confirmam o total fracasso da política de austeridade, já que o principal objetivo desta politica – conter a subida da dúvida – fracassou estrondosamente. Eis a herança da ”troika” e do PSD/CDS.

Numa altura em que debate sobre “manter-se no euro ou sair do euro” está a aumentar no espaço público, tanto em Portugal como em outros países, interessa referir uma situação grave que estes números encerram, mas que tem sido ignorada ou escondida. Segundo o Boletim Estatístico de Maio de 2014 do Banco de Portugal, a divida total das Administrações Públicas, das empresas públicas e das empresas privadas, e dos particulares, financiada pelo exterior atingia já 229.225 milhões € (135,7% do PIB), não incluindo as das instituições financeiras cuja divida ao exterior atingia, em março de 2014, 90.242,7 milhões € (53,4% do PIB). Daquele total (229.225 milhões €), 150.000 milhões € (88,8% do PIB) era divida pública; 15.737 milhões € (9,3% do PIB%) era de empresas públicas; e 62.932 milhões € (37,2% do PIB) era dívida ao exterior de empresas privadas. É previsível que a quase totalidade desta divida, no caso de Portugal sair euro, não possa ser redenominada em escudos porque está sobre alçada de tribunais estrangeiros. Portanto, se não se obtiver o acordo dos credores para a reduzir qualquer desvalorização determina um aumento, em escudos, de igual proporção desta divida. A alternativa seria o corte unilateral da divida, mas isso determinaria represálias que não podem ser ignoradas. A armadilha da divida externa é um garrote que o país teria de enfrentar, e que não tem fácil solução. Mas vamos deixar a análise do custo-benefício da manutenção ou saída do euro que, a nosso ver, ainda não foi feito para outros estudos.

Eugénio Rosa – edr2@netcabo.pt – 1-6-2014

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Para ler a Parte I deste trabalho de Eugénio Rosa, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2014/06/17/a-crescente-fragilizacao-da-economia-portuguesa-e-a-inutilidade-dos-sacrificios-dos-portugueses-por-eugenio-rosa/

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