PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS – MAIS 31 ANOS DE TROIKA: PORTUGAL SOB VIGILÂNCIA INTERNACIONAL ATÉ 2045

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17 de Junho de 2014

Seria de dizer que Portugal começou uma Guerra Mundial e a perdeu e foi condenado num tribunal internacional por crimes contra a Humanidade. Mas não. O nosso Tratado de Versalhes, versão séc. XXI não tem como origem o facto de enquanto país termos cometido qualquer crime hediondo, que não fosse resgatar a banca e as instituições financeiras. E assim, sendo esse o crime pelo qual todo um povo (e outros povos como o grego, o espanhol, o irlandês ou o italiano) paga, e estando agora a banca e as instituições financeiras de volta à economia de casino que levou mundo à recessão global, há que continuar a pagar.

Mais 31 anos, até 2045, são o período de destruição que as regras e os protocolos assinados pelos governos da austeridade e da troika, de destruição em massa. Chamam-lhe Early Warning System (Sistema de Aviso Antecipado) e explicam que é um sistema de vigilância que visa garantir, durante mais três décadas, que o Governo está a executar as políticas orçamentais e de tesouraria “compatíveis” com a necessidade de ter de devolver o dinheiro que pediu emprestado. Isto é, a governação do país terá como objectivo único pagar a dívida pública, desrespeitando todos os outros objectivos e compromissos assumidos pelo Estado para com a sua população: pagar salários, pagar pensões, investir o dinheiro dos impostos em infraestruturas de saúde, de educação, de redistribuição de riqueza como a Segurança Social.

O “resgate” envenenado assinado entre o governo português em 2011 e a troika de FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia é a matriz política para a destruição da sociedade como a conhecemos, para a obliteração da democracia e dos direitos sociais e laborais, é a vingança histórica dos sectores mais conservadores das classes mais ricas que perderam o seu poder absoluto na segunda metade do século passado. Os próximos anos verão uma das decisões mais importantes da História do país: continuará a ser independente, rebelando-se, ou entregar-se-á de vez, não como protectorado, mas como paraíso fiscal sem legislação laboral?

http://www.publico.pt/economia/noticia/fundo-de-resgate-do-euro-continuara-a-vigiar-portugal-ate-2045-1650575?page=-1

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