Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 17 – por Álvaro José Ferreira

 

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

Toada do Desengano

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 48-49; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 75)
Música: Franklin Godinho (Fado Franklin de Sextilhas)
Intérprete: Mariza* (in CD “Transparente”, World Connection/Capitol/EMI-VC, 2005)

[instrumental]

Este amor, este meu fado,
tão vivido e magoado
entre o sim e o todavia,
este amor desgovernado,
marcado a fogo e calcado
em funda melancolia

este amor dilacerado,
este amor que noite e dia
me arrebata e me agonia,
este amor desenganado,
de saudades macerado,
a encher-me a vida vazia,

[instrumental]

este amor alucinado,
este amor que desvaria
entre o luto e a alegria,
sendo assim desencontrado
meu amor desesperado,
que outro amor eu cantaria?

* Mário Pacheco – guitarra portuguesa;  António Neto – viola;  Jorge Hélder – contrabaixo;    Paulo Sérgio Santos – clarinete;  Produção, arranjos e direcção musical – Jaques Morelenbaum;    Produção executiva – Albert Nijmolen, João Pedro Ruela e Paulo Junqueiro;  Gravado e misturado nos Estúdios AR, Rio de Janeiro, por Marcelo Sabóia e Pablo Vitório;  Assistente de mistura – Bruno Stehling;  Masterizado por Ricardo Garcia, nos Estúdios Magic Master, Rio de Janeiro

Era a Noite Que Caía

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 30-31; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 66)
Música: Carlos da Maia (Fado Perseguição)
Joana Amendoeira & Mar Ensemble* (in CD/DVD “Joana Amendoeira & Mar Ensemble”, HM Música, 2008)

Era a noite que caía
e na sombra recolhia
o voo das andorinhas.
Era a voz que se calava,
era a dor de ver que estava
sem as tuas mãos nas minhas.

Eram passos que escutei,
que eram teus ainda pensei,
iludiu-me o coração.
Foram pela rua escura
longe da minha amargura
e acompanhei-os em vão.

Fiquei perto da janela,
pus-me a abri-la com cautela,
fiz disfarce da cortina.
Vi então na luz incerta
que a rua estava deserta
e deserta estava a esquina.

Era só eu na escuridão,
era no peito um rasgão,
era já no céu a lua,
que me importa?, à minha porta
a sombra que se recorta
bem pode ainda ser a tua.

[instrumental]

que me importa?, à minha porta
a sombra que se recorta
bem pode ainda ser a tua.

* Joana Amendoeira – voz;  Pedro Amendoeira – guitarra portuguesa;  Pedro Pinhal – viola de fado;  Paulo Paz – contrabaixo;  Pós-produção musical – António Pinheiro da Silva;  Produção executiva – Hélder Moutinho / HM Música  Gravado ao vivo na Praça de Armas do Castelo de São ;orge, Lisboa, no dia 21 de Junho de 2008 (no âmbito da 5.ª edição da Festa do Fado);  Captação de áudio – Luiz Delgado:;  Misturado e masterizado por António Pinheiro da Silva e Maria João Castanheira, entre Setembro e Outubro de 2008

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