Um Congresso Eugénio Tavares? Claro que sim! – por Carlos Loures

Em Outubro de 2013, a Fundação Eugénio Tavares apresentou a ideia da realização de um Congresso Eugénio Tavares, definindo esse projectado forum como um «espaço cultural e científico ajustado à dimensão política de Eugénio Tavares e de outros autores nativistas da sua geração, enquanto pilares fundamentais da construção da identidade nacional cabo-verdiana e do processo de emancipação desta nação». Estou de acordo, pois parece-me que debater a obra de Eugénio Tavares, constitui um meio de falar sobre a proto-história da literatura de Cabo Verde. Como se costuma dizer, a minha opinião vale o que vale e é apenas o parecer de um estudioso da cultura cabo-verdiana. Por certo, haverá quem possa, com maior saber e propriedade, pôr os pontos nos ii e confirmar ou rectificar o que aqui vou dizer. – antes de Eugénio Tavares, houve livros publicados em Cabo Verde, alguns mesmo escritos por autores nascidos no Arquipélago. Mas não se  poderá atribuir ao conjunto dessas obras a designação de literatura nacional.

Escrita em português e em crioulo, a obra de Eugénio Tavares abriu um espaço identitário nunca antes enunciado – o da caboverdianidade. A partir dos seus escritos (e da sua acção) nasceu nos intelectuais cabo-verdianos a consciência de que, quer se exprimissem numa ou na outra língua, se moviam num território cultural onde a força centrípeta da metrópole já não se fazia sentir.

Corsino Fortes (1933), escritor e ex-embaixador de Cabo Verde em Portugal, considerou Eugénio Tavares o «Camões de Cabo Verde». Há também quem o designe por o «pai» da literatura de Cabo Verde. Criou o próprio conceito de caboverdianidade, sem o qual não teria sido possível uma literatura. Nem uma verdadeira pátria.

Um Congresso centrado na sua figura e na sua obra, faz, a meu ver, todo o sentido.

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