Como era de esperar, um ano após a Revolução de Abril a situação editorial portuguesa é atingida por importantes modificações em todas as suas componentes.
Aumenta a edição, no seu conjunto, e sobretudo a de livros de “ciências sociais e política” que durante os tempos mais próximos ultrapassarão a literatura. As tiragens sobem, há best-sellers, livros de grande procura, e as reedições são cada vez mais.
Aumenta também o número de editores. Aparecem uma série de editoras ligadas a forças de esquerda, nomeadamente as EDIÇÕES AVANTE, que após longos anos de existência clandestina, experimenta agora os circuitos da nova legalidade.
Os seus catálogos não enganam ninguém. Dizem claramente o que se pode esperar desta editora politicamente assumida:
As obras de formação marxista-leninista de base; os principais textos clássicos do marxismo-leninismo; a luta do Partido Comunista Português, (…) – eis os domínios fundamentais da produção editorial das Edições Avante!
Não muito diferente, aparece nesta mesma altura a DIABRIL, produto de uma cisão política na antiga PORTUGÁLIA EDITORA, cujo passado remontava a 1943 e talvez, à data do 25 de Abril de 1974, a maior editora portuguesa – em 1973 tinha atingido o seu milésimo título de catálogo (A 27ª Mulher, de Irving Wallace). A DIABRIL também não esconde a orientação que procura seguir: uma editora portuguesa no caminho da revolução.
Tem à sua frente conhecidas figuras da esquerda comunista e apresenta-se sem equívocos:
Num Portugal que queremos novo e socialista, uma editora comoDIABRIL tem um papel diferente a desempenhar.
Constituída em Janeiro e lançando os primeiros livros em Março, DIABRIL é uma cooperativa de autores e leitores.
Primeira cooperativa editorial, a DIABRIL precisa do apoio de todos os escritores e leitores progressistas. É necessário liquidar estruturas editoriais anquilosadas, agindo segundo métodos capitalistas.
É necessário que escrever ou editar livros deixe de ser uma actividade egoísta de satisfação pessoal ou material para se tornar uma actividade revolucionária, actuante e interventora.
Ainda por esta altura, surgem na mesma linha as EDIÇÕES SOCIAIS, definindo-secomo uma: contribuição editorial para um Portugal Democrático rumo ao socialismo. E aparece também as EDIÇÕES “A OPINIÃO” estreando-se com a publicação do célebre livro de Álvaro Cunhal, Rumo à Vitória.
Igualmente, por esta mesma ocasião, vêm a público uma série de pequenas editoras ligadas à extrema-esquerda, nomeadamente a EDITORA VENTO DO LESTE, as EDIÇÕES BANDEIRA VERMELHA, a EDITORA SEMENTES, qualquer delas identificadas com os comunistas do MRPP, desde sempre inimigo visceral dos comunistas do PCP.
“BEST-SELLERS” 1975 – «Expresso» 1/3/75
TÍTULOAUTOREDITOR
OPÇÃO DO VOTO
MISÉRIA DA FILOSOFIA Karl Marx VÁRIOS
O ESTADO E A REVOLUÇÃO Lenine VÁRIOS
TEXTOS FILOSÓFICOS Karl Marx ESTAMPA
CINCO MESES QUE MUDARAM PORTUGAL Otelo S. de Carvalho PORTUGÁLIA