LUTO, por ETHEL FELDMAN
Tento encontrar um lugar recatado para poder te chorar,
mas as crianças mortas são às centenas e fazem do meu pranto revolta.
Dobrei-te um passarinho na despedida, porque partias dentro do tempo,
mas os meus dedos ficam pequenos quando a morte é chacina.
Mora na minha infância a memória dos massacres
dos meus familiares nos campos de concentração.
Tento encontrar em vão a ilha que desenhaste.
Entre destroços e vidas roubadas
Vive um homem soberbo que finge ser surdo.

