NO VERÃO, PENSAR NO MAR – “A MÃE E O MAR” DE GONÇALO TOCHA por Clara Castilho

Foi em Maio que chegou às salas de cinema o documentário “A mãe e o mar” de Gonçalo Tocha.

É um filme rodado na região de Vila do Conde. Foi buscar uma tradição das mulheres pescadoras da praia de Vila Chã. Quem ainda se lembra? A grande “personagem” é representada por Glória, a única sobrevivente dessa actividade.

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Foi um desafio à tradição, num ofício em que só os homens dominavam. Pois, já lá vai o tempo, conseguiram licenças de pesca e avançaram, remando no mar e contra as tradições. Agora, só Glória o faz, os outros barcos jazem em terra. E dizem que é “amor pelo mar”.

À procura de registos desta actividade única, só encontrou três recortes de jornal. Daí, este filme ser de investigação, para que a memória se não apague. Isto só é possível ser feito por uma pessoa capaz de entrar numa comunidade, fazer-se “amigo” dos seus elementos, tornar-se confidente e fazê-los abrir o coração.

A metodologia é como que um registo próximo do diário filmado, em que o filme se confunde com o seu próprio making of.

O documentário foi apresentado pela primeira vez na edição de 2013 do festival de “Curtas” Vila do Conde. A sua estreia internacional foi no Festival de Roma em 2013. No DocLisboa desse mesmo ano, recebeu o prémio de melhor longa-metragem portuguesa

Foi depois exibido no Festival Internacional de Documentários, emCopenhaga, no Festival Rencontres International du Documentaire de Montreal, no Canadá, e no Festival Internacional de Roterdão, entre outros.

No passado mês de Fevereiro, foi escolhido para abrir o “Documentary Fortnight 2014”, do Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova Iorque.

A realização e o argumento são de Gonçalo Tocha, a fotografia de André Guiomar e Gonçalo Tocha.

Qual será a próxima descoberta deste realizador? Ficamos à espera.

 

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