A CARGA DA DÍVIDA ALIMENTA A PRÓPRIA DÍVIDA – por ARNAQUE

Temaseconomia1

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

A carga da dívida alimenta a própria dívida

La charge de la dette nourrit la dette, por Arnaque

Parte I

Uma explicação

Há já alguns anos atrás pedi ao INSEE para me indicarem qual o montante exacto e preciso dos juros pagos anualmente como serviço da dívida, “ na acepção de  Maastricht” para o conjunto das Administrações Públicas (“APu” na linguagem administrativa)… A resposta negativa recebida inspirou-me a ‘reconstruir’ estes montantes a partir das taxas de juros médias fornecidas pelo Banco de França, e é esta reconstrução que está na base dos  diferentes  cálculos  que os leitores podem encontrar aqui ou nos artigos ou livros (1) que publiquei sobre a questão.

O recente lançamento do “relatório sobre a situação das Finanças Públicas” por Paul CHAMPSAUR e Jean-Philippe COTIS (2), deu-me esperança que esses dados estariam  agora disponíveis…

Perguntei portanto e pedi de novo ao INSEE para me fornecerem esta mesma  informação. Infelizmente, a sua resposta (bastante surpreendente quando nos saturam  com o problema do peso da dívida)  foi a seguinte: ” A informação pedida  (os encargos da dívida) não corresponde a um agregado de contas nacionais e, portanto, não consta nos resultados publicados” . No quadro da discussão que se segue abaixo, portanto, eu senti  que  podia confiar no relatório  citado que, no  gráfico n º 5 (curva a vermelho), nos indica o fardo da dívida como proporção do PIB.

Arnaque - I

Metodologia

Eu, portanto, ampliei este gráfico, o que me permitiu determinar com suficiente precisão os valores anuais em  percentagem  (valores que irão encontrar na quinta coluna da tabela).

Os resultados aparecem nos dois quadros:

Arnaque - II

e

Arnaque - III

Em seguida, calculei  o peso da dívida em euros actuais (coluna 4), depois utilizei então os dados do INSEE para obter os coeficientes de transformação de  euros correntes  em euros  constantes de 2009 euros (coluna 2)

A partir daí, o cálculo dos juros em euros constantes 2009 (coluna 9),  os juros acumulados (coluna 18)  e o  PIB em euros 2009 (coluna 7) e a dívida acumulada (dada pelo INSEE) em euros correntes (coluna 4) transformada em euros constantes 2009 (coluna 8) e finalmente em percentagem do PIB (coluna 13).

A variação anual da dívida (coluna 10) é uma simples subtracção entre os dados de um ano para outro. A variação na dívida anual tal qual esta seria  “sem juros” aparece na coluna 11. É o  aumento de um ano para a outra na coluna 8, diminuída dos  juros pagos  (coluna 9). A acumulação de dívida, sem juros (coluna 12) é, portanto, a soma da célula do ano anterior   mais o montante da  célula da coluna 11.

O fardo da dívida calculada sem juros como uma parcela  do PIB (coluna 14) é a simples ratio da coluna 12 pela coluna 7.

(continua)

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(1) Trata-se de  « La dette publique, une affaire rentable » (ed Yves Michel), « Les 10 plus gros mensonges sur l’économie » (nouvelle édition 2010, ed Dangles, e o último publicado  «Argent, dettes et banques» (ed Yves Michel)

(2) http://lesrapports.ladocumentationfrancaise.fr/cgi-bin/brp/telestats.cgi?brp_ref=104000234&brp_file=0000.pdf

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Ver o original em:

http://monnaie.wikispaces.com/Arnaque

 

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