A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
A ideia de uma Península unida ou subjugada a um poder centralizado, vem de há muito tempo – os romanos conseguiram-no e depois disso têm-se sucedido as tentativas de concretizar esse objectivo. A maior parte delas, correspondeu à ânsia castelhana de hegemonizar todo o espaço peninsular, mas houve também iniciativas portuguesas com o mesmo propósito. Não vamos aqui apresentar a tábua cronológica das formas que têm sido tentadas – hoje, 14 de Agosto assinala-se a efeméride da Batalha de Aljubarrota que, em 1385, ditou o fracasso de mais uma tentativa de absorção. Muitas outras se seguiriam e numa delas, em 1580, por via das leis da sucessão dinástica, um castelhano sentar-se-ia no trono de Portugal e, durante 60 anos, embora formalmente independente, Portugal esteve subordinado ao poder central de um império que dominava não só a Península como também parte substancial da Europa. Recuperando a independência após uma cruenta guerra que se prolongou por 28 anos, Portugal tem-se mantido independente e tem escapado a múltiplas arremetidas. Há meia-dúzia de anos, a questão voltou a ser agitada – talvez seja teoria da conspiração, mas não será que Madrid, aproximando-se a turbulência catalã, não quereria demonstrar a bondade da ideia de uma Hispânia «una, grande y libre»?
A Ibéria nunca existiu. Ibéria era um pequeno território que bordejava o Iber – depois Ebro – e assim designado pela ocupação, aliás, minúscula dos gregos. Os romanos mandaram reconhecer a periferia de toda a Península e, depois disso, passaram a designá-la por Hispânia. Todos quantos nela nasceram e nascem são Hispânicos porém. acentue-se, nenhum é espanhol. Espanha é, apenas, o disfarce mal feito do imperialismo castelhano que, com toda a ilegitimidade, prossegue sem respeitar as nacionalidades que essas, sim, com toda a legitimidade, têm o direito a constituir-se como estados independentes com lugar cativo na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas.CLV