POESIA TRADICIONAL OLIVENTINA – por CARLOS LUNA

Imagem1

 

POESIA TRADICIONAL OLIVENTINA

Igreja de Santa Maria do Castelo
Igreja de Santa Maria do Castelo

Carlos Luna

São 94 quadras da poesia tradicional oliventina, todas elas em português. As 72 primeiras foram recolhidas por Ventura Ledesma Abrantes (décadas de 1930 e 1940)), duas de dois habitantes de São Jorge de Alor na década de 1990, as últimas 20 recolhidas pelo Prof. Hernâni Cidade, na década de 1950 e 1960. publicamos hoje as últimas 12, da 61ª à 72ª , recolhidas porVentura Ledesma Abrantes.

 

61-
Acabou-se a brincadeira,
não metas mais a colher!
Bate agora à dianteira,
que tu vais ser minha mulher!



62-
Anda cá para os meus braços
se tu vida queres ter,
que os meus braços dão saúde
a quem está para morrer!



63-
Os olhos daquela aquela,
os olhos daquela além,
os olhos daquela flor
são os olhos do meu bem!



64-
O meu amor é um cravo
que ao craveiro fui colher;
para o craveiro dar outro
tem de voltar a nascer.

65-
Não há luar mais formoso
que o da noite de São João,
nem luz que mais ilumine
o meu pobre coração!



66-
Comprei arrecadas de ouro
na feira de São Mateus;
lembranças do meu tesouro
e dos beijos que ele me deu.



67-
António, meu oratório,
meu espelho de vestir;
quem tem amores com António
volta ao céu e torna a ir!



68-
Minha mãe, quando eu casei,
prometeu-me quanto tinha.
Depois que me viu casada
deu-me um saco de farinha!

69-
O coração já está preso,
não cantes mais “soledade”*
Já o virei do avesso
para curar a saudade.


*solidão



70-
Já morreu o vil traidor,
para os infernos muitos anos;
quis vender o nosso povo
ao poder dos castelhanos.(*)

71-
Cosmander foi um vilão
ao serviço dos “mariolas”,
mas teve morte de cão
com sepultura de esmola.(**)

72-
Era um diabo, um malvado,
sem honra nem coração;
dorme, filho, descansado,
que já morreu esse cão!(***)

 

 

(*), (**), (***)- Referências a João Pascácio Cosmander, ou Jan Ciermans, um flamengo (belga ou holandês) que, estando ao serviço do exército português em 1640, resolveu trair e pôr-se do lado de Castela. Tentou um ataque traiçoeiro a Olivença, mas foi morto pelo oliventino Gaspar Martins)

Nota – este post sobre poesia oliventina do Carlos Luna já tinha sido publicado no Estrolabio em 14 de Julho de 2010. Ver em:

http://estrolabio.blogs.sapo.pt/657999.html//

Leave a Reply