SOBRE OS LEOPARDOS QUE QUEREM BEM SERVIR BRUXELAS – DA ITÁLIA, FALEMOS ENTÃO DE UM BOM EXEMPLAR – 6. RENZI – O POPULISMO TECNOCRÁTICO DO GRANDE REFORMADOR – A “RENZIMANIA” DESFAZ-SE NO CHOQUE CONTRA A AUSTERIDADE – por ANNA MARIA MERLO

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

mapa itália

A “Renzimania” desfaz-se no choque contra a austeridade, por Anna Maria Merlo,

Scoppia la «Renzimania» contro l’austerity, Sbilanciamoci.info, 4 de Julho de 2014,

 

O Renzismo à  prova/ Uma brisa de Renzimania atravessa a Europa. Mas após os primeiros entusiasmos, começam as dúvidas e muitos estão já a  perguntarem-se  se realmente há  substância

Matteo Renzi, o cavalo com  que se visa  mudar a Europa? Uma brisa de Renzimania atravessa a Europa. A Itália tem a Presidência semestral até ao final do ano e a  retórica imaginativa do primeiro-ministro italiano já se refrescou um pouco, quarta-feira, pois a ária dos   discursos no ar que agora são usados em edifícios europeus é outra (onde até o Jurássico Juncker é apreciado pelas  seus marcas irregulares). Mas consegue Renzi  alcançar um  instável  compromisso europeu? Depois começam as primeiras explosões de entusiasmo, as dúvidas e muitos estão-se a  perguntar  se há realmente substância para esse entusiasmo.

Mas Renzi   está só no  comando, no sentido de que não  tem nenhuns  rivais para incarnarem  a ofensiva contra a austeridade de Merkel: o partido Democrata ganhou as eleições e trouxe a Estrasburgo um grupo consistente para o PSE, enquanto Hollande, que tinha levantado as esperanças em 2012, tem sido um aprofunda desilusão  e agora com os socialistas franceses a estarem  em sexto lugar, atrás dos romenos. Cameron, que em termos de luta contra a austeridade está  fora de jogo desde o princípio,  está agora  atolado e unicamente na sua  batalha contra a UE.

A Itália é um dos grandes  países da UE. A Presidência grega, que precedeu os italianos, desenrolou-se sem deixar vestígios, apesar da situação dramática em Atenas.

A França está na primeira linha em questionar a fiabilidade de Renzi. É em Paris, a cidade onde a  Renzimania soprou mais forte. Ao ponto que é aqui que algumas pessoas escreveram que ‘Renzi  é a última chance de Hollande’, no sentido de que, se não funcionar o eixo ítalo-francês para desencadear  os investimentos produtivos, o Presidente francês não conseguirá chegar ao  final do mandato, desacreditado face aos seus  cidadãos. Renzi é um aliado, precisa  bem uma fonte do ‘ Eliseu.  O roteiro é similar  ao de Hollande: “mais empenho na  Europa para conseguir que haja  crescimento,  corrigir a imagem institucional que é sinónimo de rigor” disse  o Presidente francês. Os franceses têm um programa de recuperação da economia, que Hollande foi incapaz de fazer com que fosse aprovado. Agora contamos  com a energia de Renzi: 240 mil milhões por ano, ou seja, 1200 mil milhões em cinco anos, para revitalizar a economia, com projectos em infra-estruturas, energia, investigação, formação de jovens e saúde. Para financiá-lo deverá  ser  o BEI, com uma contribuição de poupança privada, que na Europa é alta (12% do PIB). O objectivo é estabelecer uma poupança ‘comum’ na UE e orientá-la   para o financiamento das empresas”.

Como pode ser visto na quarta-feira, em Estrasburgo, com as vivas  reacções do líder do  Grupo PPE, o alemão Manfred Weber, a estrada ainda não está  pavimentada nesse sentido. A direita francesa no novo Parlamento já perdeu a Presidência do grupo, por causa da crise eleitoral francesa. Renzi, portanto, confronta-se quase sozinho face a Merkel, que continua a ser muito firme em conjunto com os seus  aliados na defesa das políticas de austeridade , da Holanda à Finlândia. Renzi não colocou as luvas face à  Alemanha ao recordar que  em 2003 esta tinha ultrapassado os  parâmetros de Maastricht: a interpretação é que, graças a esta superação, Berlim é agora uma economia em situação de contas públicas equilibrada  (  foi anunciado  um orçamento equilibrado, esta semana), com uma maior taxa de crescimento que os seus vizinhos e um menor nível de desemprego. Renzi pode mesmo ironizar a propósito da cor do casaco que vestia a  Chanceler à margem do último Conselho Europeu – violeta, «como Florentina» –, mas obter mais do que um pequeno alongamento dos prazos em relação os parâmetros não será nada  fácil. Existem os interesses dos países: a Alemanha não teme a deflação, tem uma população de gente  idosa e atenta  ao nível dos fundos de pensão. Aqui está a diferença com a França, que tem uma população jovem que se apresenta  no mercado de trabalho e não encontra emprego . A Itália, embora com uma população em declínio, tem os dois problemas.

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Ver o original em:

http://www.sbilanciamoci.info/Sezioni/globi/Scoppia-la-Renzimania-contro-l-austerity-25323

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