EDITORIAL – DA “ÓPERA DE TRÊS VINTÉNS” A TIMOR LESTE

 

Foi em 31 de Agosto de 1928 que se estreou em Berlim a “Ópera de três vinténs”,logo editorial de Kurt Weill e Bertolt Brecht. Nela, há gangs que se digladiam, procurando a melhor forma de encher os bolsos à custa dos outros. De facto, Brecht criticava as disparidades sociais da sua época. Por exemplo, no final do segundo acto, discute-se  a condição humana: “Num mundo como este, o homem, para sobreviver, tem de suprimir a sua humanidade e explorar o seu semelhante”.

O tempo vai passando, o ser humano continua igual. Por aqui, a maior exploração não é tanto para sobreviver. Ricardo Salgado é exemplo disso. Mas existirão muitos cidadãos que tiveram que encetar uma via de suprimir a sua humanidade para poderem sobreviver.

Que fazem aqueles a quem as reformas são penhoradas (média diária de 759 correspondendo a118 mil euros por dia), por incumprimento de pagamentos ao Fisco, à Segurança Social, a bancos ou a operadoras de telecomunicações ?

Qe fazem aqueles, aproximadamente 15 a 20% das pessoas que não fazem todas as refeições porque não têm dinheiro para comer? Porque grávidas com fome chegam aos serviços de urgência dos hospitais para, ficando internadas um ou dois dias  se podem alimentar?  Porque as cantinas escolares tiveram de se manter abertas, para possibilitar às crianças mais carenciadas pelo menos uma refeição por dia? Porque só 1 em cada 4 portugueses pensa ter filhos nos próximos três anos? E poderíamos prosseguir…

Ontem assinalaram-se 15 anos do referendo realizado em Timor Leste, questionando a população sobre o seu desejo de independência da Indonésia, que sobre eles exercia uma ditadura desde 1975. Para se chegar a este dia contribuíram a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao bispo Ximenes Belo e a José Ramos Horta em Outubro de 1996, e a visita em Julho de 1997, do presidente sul-africano Nelson Mandela ao líder da Fretilin, Xanana Gusmão, que estava na prisão. E mais de 98% da população timorense foi às urnas no dia 30 de Agosto de 1999 para votar e como resultado 78,5% dos timorenses afirmaram querer a independência.

É esta força de um povo oprimido, que resiste, que vai votar em massa, que estamos a precisar.

 

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