UCRÂNIA: A ALEMANHA QUER ASSUMIR NAS SUAS MÃOS E DIRECTAMENTE A GESTÃO DA CRISE – MERKEL TEME A DESESTABILIZAÇÃO DA REGIÃO – por LUC ROSENZWEIG

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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Ucrânia: a Alemanha quer assumir nas suas mãos e directamente a gestão da crise

Merkel teme a desestabilização da região

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Antes de ler o artigo veja-se se reconhece a figura abaixo:

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Há fogo na estepe: a menos de duas semanas da eleição presidencial fixada para o dia 25 de maio na Ucrânia, a confrontação entre o poder em exercício em Kiev (diga-se pró-europeu) e os separatistas pró-russos do leste do país não diminui de intensidade, bem pelo contrário. Enfrentando todas os avisos formulados por Bruxelas como por Washington, os separatistas organizaram o seu referendo que institui a sua “República popular de Donetsk”, cuja vocação é a de solicitar a sua união à federação da Rússia. Pode-se discutir até ao infinito sobre a validade deste voto, de que os seus resultados proclamados são sem dúvida o produto de uma manipulação burocrática, mas é inegável que conferiram uma certa legitimidade aos líderes da secessão, nem que seja pelo facto de que os partidários da independência não se mobilizaram, nestas regiões, para falharem.

Contrariamente ao que se tinha passado na Crimeia, Putin não apoiou publicamente o atear destes fogos, deixando os seus partidários sobre o terreno efectuarem o seu combate, sem se estar a ultrapassar a linha vermelha que teria sido o apoio militar directo aos separatistas. O mestre do Kremlin fez mesmo recuar em cerca de alguns quilómetros as tropas russas reunidas na fronteira, preferindo na fase actual efectuar uma ofensiva diplomática destinada a semear a confusão no adversário. Este objectivo está em vias de ser alcançado: no mês de Fevereiro, enquanto que os telespectadores ocidentais eram fascinados pelas imagens de revolta popular sobre a praça Maïdan em Kiev, a União europeia tinha tido êxito em formar “uma equipa de sonho ”, composta pela Alemanha, França e pela Polónia, “o triângulo Weimar”, para coordenar uma transição política na Ucrânia favorável aos oponentes à influência russa. Apanhada de surpresa, a Rússia assinava em Genebra um acordo em que se pede às partes ucranianas que ponham fim às suas confrontações e que se comprometam a “um diálogo nacional” para dar às regiões uma muito larga autonomia. Este acordo não teve o mais leve sinal de ser posto em marcha e desde o dia seguinte ao da sua assinatura, lançavam-se mutuamente acusações de violação das suas cláusulas, alegremente realizadas por ambos os lados.

 “O triângulo Weimar” passa então a batata quente a Bruxelas, enquanto que Paris, Berlim e Washington se concentravam sobre a defesa dos seus interesses nacionais nesta penosa situação. Os polacos, os mais ofensivos no apoio ao poder de Kiev são postos no centro do conflito, enquanto Washington fala alto mas satisfaz-se em colocar alguns “conselheiros” a disposição das forças armadas ucranianas para se oporem às milícias pró-russas, e Paris vela em preservar e levar a bom fim a realização do seu contrato de fornecimento de navios de guerra “Mistral” a Moscovo, com grande fúria de Barack Obama. A linha europeia consiste então em persuadir o governo de Kiev a fazer prova de flexibilidade em relação aos dissidentes de Donetsk e Lougansk, em troca de subsídios destinados a evitar a declaração de falência financeira de um país exangue. Encarregado de levar a mensagem, Herman van Rompuy chega a Kiev no dia 12 de Maio para acalmar os ardores do primeiro-ministro Arseni Iatseniouk assinando com ele alguns acordos menores. Mas o essencial deixa de se passar em Bruxelas, porque a Alemanha quer assumir nas suas mãos e directamente a gestão da crise: é ela que tem mais a temer com uma desestabilização da região, podendo levar-se a Ucrânia a uma guerra civil do  tipo da que se deu na  Jugoslávia. Está fora de questão para a Sra. Merkel e os seus amigos, colocar em perigo a relação germano-russa tão proveitosa para a economia alemã e para a sua segurança energética.

Berlim faz por conseguinte de modo que a UE se ponha  em retirada no seu papel de mediador entre as partes, para assim a substituir pela OSCE (Organização para a segurança e a cooperação na Europa), que apresenta a vantagem de incluir não só a Rússia como também  outros países na órbita de Moscovo entre os seus membros, uma organização eurasiática avant la lettre … É por conseguinte a OSCE que é encarregada de organizar a mesa redonda das forças políticas ucranianas, posta em prática com a intervenção activa de Frank Walter Steinmeier, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros.

Este último estabeleceu terá estabelecido quase que toda a lista dos participantes para esta mesa redonda, e impôs como “moderador” um antigo diplomata alemão de elevada categoria diplomática, Wolfgang Ischinger, que mantem desde há muito tempo relações cordiais com o mundo político russo. As coisas sérias podem começar.

Revista Le Causeur, Ukraine: l’Allemagne prend l’affaire en main -Merkel redoute la déstabilisation de la région, 15 de Maio de 2014

*Photo : Guido Bergmann/AP/SIPA. AP21536774_000002.

Três fotos de Yulia Tymoshenko:

À imagem das camponesas da Ucrânia, ou o poder da maquilhagem americana

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E agora, em baixo,  bem acompanhada:

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Ver original do artigo em:

http://www.causeur.fr/ukraine-merkel-poutine-allemagne-27574.html

 

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