VOZ QUE ESCUTA, de POLÍBIO GOMES DOS SANTOS

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Voz que Escuta, de Políbio Gomes dos Santos

(1911 - 1939)
(1911 – 1939)

 

Chamam-me lá em baixo.
São as coisas que não puderam decorar-me:
As que ficaram a mirar-me longamente
E não acreditaram;
As que sem coração, no relâmpago do grito,
Não puderam colher-me.
Chamam-me lá em baixo,
Quase ao nível do mar, quase à beira do mar,
Onde a multidão formiga
Sem saber nadar.
Chamam-me lá em baixo
Onde tudo é vigoroso e opaco pelo dia adiante
E transparente e desgraçado e vil
Quando a noite vem, criança distraída,
Que debilmente apaga os traços brancos
Deste quadro negro – a Vida.
Chamam-me lá em baixo:
Voz de coisas, voz de luta.
É uma voz que estala e mansamente cala
E me escuta.

Políbio Gomes dos Santos,
in ‘Voz que Escuta’

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Uma biografia de Políbio Gomes dos Santos pode ser lida em:

http://www.vidaslusofonas.pt/polibio.htm

 

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