2014: ANO EUROPEU DO CÉREBRO E DAS DOENÇAS MENTAIS – A DEPRESSÃO por clara castilho

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Decorre o Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais escolhido pelo Parlamento Europeu, considerando que se trata de um problema que poderá ter causas e tentativas de intervenção comuns a alguns países da Europa. Continuamos a reflectir sobre o assunto.

Cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de perturbações mentais em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Destas, mais de 350 milhões padecem de depressão. Em Portugal, a prevalência de distúrbios mentais situa-se nos 23%, acima da média europeia.bacon45

Francis Bacon

No Portal da Saúde é-nos dito:

“A depressão é a principal causa de incapacidades e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis entre as 107 doenças e problemas de saúde mais relevantes. Os custos pessoais e sociais da doença são muito elevados.

Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre, sofreu ou vai sofrer de depressão. Um em cada cinco utentes dos cuidados de saúde primários portugueses encontra-se deprimido no momento da consulta.

A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.

Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa. No entanto, se os sintomas se agravam e perduram por mais de duas semanas consecutivas, convém começar a pensar em procurar ajuda.

A depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, e se não for tratada, pode conduzir ao suicídio, uma consequência frequente da depressão. Estima-se que esta doença esteja associada à perda de 850 mil vidas por ano, mais de 1200 mortes em Portugal.

A depressão pode ser episódica, recorrente ou crónica, e conduz à diminuição substancial da capacidade do indivíduo em assegurar as suas responsabilidades do dia-a-dia. A depressão pode durar de alguns meses a alguns anos. Contudo, em cerca de 20 por cento dos casos torna-se uma doença crónica sem remissão. Estes casos devem-se, fundamentalmente, à falta de tratamento adequado.

A depressão é mais comum nas mulheres do que nos homens: um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde, em 2000, mostrou que a prevalência de episódios de depressão unipolar é de 1,9 por cento nos homens e de 3,2 por cento nas mulheres.

Normalmente, a depressão é tratada através do uso de medicamentos, de intervenções psicoterapêuticas, ou da conjugação de ambas.

Num inquérito efectuado pela DECO, a mais de 12.500 pessoas, tendo uma amostra representativa da população adulta portuguesa. Os resultados, publicados na edição de Fevereiro/Março da revista Teste Saúde, indicam que haverá cerca de 250 mil portugueses com sinais de dependência. Um em cada quatro evidenciava sinais de dependência física ou psicológica, o que traduzido para a população adulta nacional representa cerca de 250 mil . O médico que o realizou, José Pinto Gouveia, psiquiatra e investigador, defende um maior equilíbrio entre a medicação e outras formas de tratar a ansiedade e a depressão.

A literatura científica aponta para uma forte relação entre os períodos de crise e subida do desemprego e o aumento dos casos de depressão.

Temos aqui um “problemão” a que não estamos a saber responder…

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