CELEBRANDO SOPHIA – 46 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

 

Para ouvir os poemas de Sophia (os recitados e os cantados), há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.com/2014/07/celebrando-sophia-de-mello-breyner.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

 

 

Celebrando Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia - 1940

NAVIO NAUFRAGADO

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen (in “Dia do Mar”, Lisboa: Edições Ática, 1947; “Obra Poética I”, Lisboa: Editorial Caminho, 1990 – pág. 111)

Recitado pela autora (in EP “Sophia de Mello Breyner Andresen Diz Poemas de Sua Autoria”, col. A Voz e o Texto, Decca/VC, 1959)

 

Vinha dum mundo
Sonoro, nítido e denso.
E agora o mar o guarda no seu fundo
Silencioso e suspenso.

É um esqueleto branco o capitão,
Branco como as areias,
Tem duas conchas na mão
Tem algas em vez de veias
E uma medusa em vez de coração.

Em seu redor as grutas de mil cores
Tomam formas incertas quase ausentes
E a cor das águas toma a cor das flores
E os animais são mudos, transparentes.

E os corpos espalhados nas areias
Tremem à passagem das sereias —
Das sereias leves de cabelos verdes
Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos dos videntes.

 

 

A Conquista de Cacela

 

Poemas: Sophia de Mello Breyner Andresen (“As Cigarras”, “A Conquista de Cacela”, “Barcos” e “Pescador”) [textos individualizados >> abaixo]
Música: José Cid
Intérprete: José Cid* (in CD “Pelos Direitos do Homem”, BMG Ariola/RCA, 1996; 2CD “Pop-Rock & Vice-Versa”: CD2, Farol Música, 2007)

Com o fogo do céu a calma cai
No muro branco as sombras são direitas
A luz persegue cada coisa até
Ouvem-se mais as cigarras que maré

As praças-fortes foram conquistadas
Por seu poder e foram sitiadas
As cidades do mar pela riqueza
Mas Cacela foi pela beleza

[instrumental]

Um por um para o mar passam os barcos
Em frente de promontórios e terraços
Cortando as águas lisas como um chão
Alinhados os barcos assim vão

[instrumental]

As praças-fortes foram conquistadas
Por seu poder e foram sitiadas
As cidades do mar pela riqueza
Mas Cacela foi pela beleza

[instrumental]

Pescador que está inteiro em sua vida
Fez do mar e do céu seu ser profundo
E manteve com serena lucidez
Aberto o seu olhar por sobre o mundo

As praças-fortes foram conquistadas
Por seu poder e foram sitiadas
As cidades do mar pela riqueza
Mas Cacela foi pela beleza

Mas Cacela foi pela beleza
Mas Cacela foi pela beleza

[instrumental]

Com o fogo do céu a calma cai
No muro branco as sombras são direitas

 

 

* Chico Martins – violas acústicas, viola baixo, slide guitar
Rui Vaz – programação rítmica
José Cid – voz, sintetizadores
Produção – Rui Vaz
Gravado no Estúdio Estúdio Vinyl, em 1996
Reequalizados todos os temas no Estúdio Vinyl, em 2007
Masterizado no TEMPESTÚDIO, Coimbra, por Gonçalo Gomes

Cacela Cacela Velha (concelho de Vila Real de Santo António)

 

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