PAIS MOSTRAM-SE INDIGNADOS E EU TAMBÉM por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

No Público de 18 de Setembro foi publicado um artigo de Natália Faria intitulado ” Escola cria turma só de crianças ciganas”.

Porque me tenho dedicado bastante a esta problemática vieram-me à cabeça imensas discriminações de que são alvo os ciganos e neste caso as crianças. Estou plenamente de acordo com a socióloga Maria José Casa Nova “, a este tipo de soluções se associam sempre resultados negativos”.

Em que época vivemos para que haja professores que ainda discriminem alunos pelas etnias e categorias sociais, o que é isto senão racismo, que nunca é para o bem de ninguém. Para aliviar a consciência a escola reconhece que tem alguns meninos ciganos integrados em turmas “normais”. O que são turmas normais? Então é porque reconhece que a turma dos meninos ciganos é uma turma anormal. O que são turmas anormais?

A turma dos meninos ciganos tem alunos desde os 7 anos até aos 14 anos, ou seja tem todos os níveis de escolaridade do 1º ciclo, quando muitos professores se têm batido por turmas com alunos ao mesmo nível de conhecimentos. O que também é discutível.

É verdade que os meninos e meninas ciganas têm especificidades diferentes da etnia maioritária e de outras etnias, e vice versa…

Se é legal ou não, pouco interesse tem, o que importa é que alguém foi capaz de separar os alunos por etnia, neste caso os “inevitáveis” ciganos.

É a etnia que determina a capacidade de aprendizagem, a disciplina, o saber estar com o diferente?

Eu sei que a reacção vai ser mas “eles, os sem nome” têm muita dificuldade em estarem quietos, faltam muito, estão sempre a mexer-se e por vezes não respeitam os adultos da escola. Por qualquer coisa chamam a família para fazer justiça.

Sou professora há trinta anos, sempre em bairros multiculturais, em que as famílias ciganas eram muitas, e cada família era maior do que a outra.

Vivi isto e o seu contrário com meninos ciganos. Vivi isto e o seu contrário com meninos de todas as origens.

É verdade que a diferença cultural é grande, que o desconhecimento da vida dos ciganos é ainda maior.

A escola como espaço multicultural tem uma função importantíssima no entrelaçar das diferentes culturas.

Era bom que esta escola se aconselhasse com alguém de como há-de gerir esta questão. Começou logo com uma lacuna grande, não falou com os pais.

A escola não existe se não respeitar as diferenças, se não tiver os pais esclarecidos sobre o funcionamento da escola. E, já agora, o que diriam aos pais?

 bia 20.9

Turmas com meninos ciganos. São diferentes?

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