EDITORIAL – O PS morreu! Viva o Socialismo!


logo editorialNo  livro  “O Pós Socialismo” (“L’Après socialisme”, Paris, 1980), dizia Alain Touraine: «O Socialismo está morto. A palavra figura por todo o lado, nos programas eleitorais, no nome dos partidos e mesmo dos Estados, mas está vazia de sentido».  A afirmação era feita antes da vitoriosa cavalgada europeia dos partidos ditos socialistas – em 1981, Miterrand vencia as presidenciais francesas e Papandreu as legislativas da Grécia; em 1982, Felipe González ganhava as eleições legislativas em Espanha e, em 1983, Soares vencia em Portugal. Ter-se-á Touraine precipitado?

Não. Não era do «socialismo real» que falava, mas sim do ideal que começou a caminhar com Saint Simon e Owen e que regulou a respiração pelo resfolegar das máquinas com que o capitalismo abria a era industrial. Do ideal que, com Marx  e Engels, passou da fase utópica à  cientifica. Depois, filtrado  e definido como ponte entre o capitalismo e o comunismo, entrou na senda do «socialismo real», conceito bem visível na luta interna no PS, mostrando um partido onde a essência ideológica foi totalmente banida.

Diga-se que António José Seguro e António Costa, na sua guerra de palavras, não invocam princípios, limitando-se a umas pinceladas de demagogia. Parecem querer queimar a etapa do confronto com o PSD, disputando já o cargo de primeiro ministro. Um espectáculo deprimente – discursos sem qualquer conteúdo que tenha a ver com o ideário social-democrata que  o documento fundacional de 1973 enunciava. O PS morreu e em seu lugar, usurpando nome e símbolo, existe uma agência que distribui prebendas e sinecuras.

Os actuais partidos socialistas não entroncam na árvore genealógica que vem das lutas heróicas do século XIX. Estão nas mãos de homens e mulheres «pragmáticos», que se regem por uma lógica burguesa e pelos interesses do grande capital. Gente com mentalidade empresarial para a qual o partido é uma passagem para lugares de topo no mundo dos negócios.

O socialismo, ainda que, em seu nome tenham existido estados autoritários e  se tenham cometido as maiores ignomínias; apesar de dar o nome a partidos que  nada têm a ver com os seus princípios, apesar de tudo isso, o ideal socialista, continua a ser um capital de esperança para os que desejam um mundo mais fraterno e justo.

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