2014: ANO EUROPEU DO CÉREBRO E DAS DOENÇAS MENTAIS – ALCOOLISMO por clara castilho

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Decorre o Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais escolhido pelo Parlamento Europeu, considerando que se trata de um problema que poderá ter causas e tentativas de intervenção comuns a alguns países da Europa. Continuamos a reflectir sobre o assunto.

Quando é que podemos considerar que o consumo álcool  é nocivo? De acordo com a Organização Mundial de Saúde, será quando o consumo causa consequências negativas para o consumidor, as pessoas que o rodeiam e a sociedade como um todo, assim como padrões de consumo associados com o aumento do risco de problemas de saúde. A dependência é uma das consequências possíveis, mas também o aumento do risco de mais de 200 doenças, incluindo cirrose hepática e alguns cancros. Para não falar da violência que lhe está associada.

garrafas
No ano de 2012, cerca de 3,3 milhões de pessoas morreram em todo o mundo em consequência do consumo nocivo de álcool, o que equivale a 5,9% de todas as mortes. Se olharmos para outras causas de morte, por exemplo VIH (2,8%), violência (0,9%) e à tuberculose (1,7%), vemos como este número é superior a estas todas juntas.

 Dados de 2009  disseram que Portugal é o 2º país do mundo com maior consumo de álcool entre a população com 15 ou mais anos de idade, segundo dados da OCDE – Health Data.. Os consumidores mais jovens preferem a cerveja ao vinho, e as bebidas com uma taxa de álcool superior. Questionados os jovens, viu-se que 14,8% dos jovens que frequentam o 10.º ano de escolaridade consomem cerveja todas as semanas/meses e 18,9% consomem bebidas destiladas. Dos jovens entrevistados, 19% afirma já ter experimentado o estado de embriaguez 1 a 3 vezes. E porquê? Para optimização pessoal e social e a gestão das dificuldades. Verificou-se, também que as primeiras experiências ocorrem antes dos 13 anos, para 13,8% dos inquiridos.

 O Observatório Português dos Sistemas de Saúde, no seu Relatório de Primavera 2012 afirmou que “Portugal apresenta o segundo valor mais elevado nas estatísticas da

OCDE relativas ao consumo de bebidas alcoólicas na população com 15 e mais anos.  A taxa de mortalidade associada a doenças relacionadas com o álcool não melhorou ao longo da última década.

 Mais recentemente, o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), de Maio de 2014, deu-nos a notícia de que a média de consumo de álcool em Portugal tinha descido de 14,4 para 12,9 litros per capita entre 2003 e 2010, continuando, no entanto, acima da média europeia de 10,9 litros. De acordo com estes dados, Portugal mantém-se entre os 10 países da Europa com mais consumo de álcool médio por pessoa, numa lista com 44 países.

Se bem que estudos inidquem as jovens raparigas bebem cada vez mais, continuam a ser os  homens a consumir em média o dobro do que as mulheres. Um dos efeitos do consumo exagerado de álcool são os acidentes rodoviários: 17,2 em cada 100 mil homens portugueses 4,8 em cada 100 mil mulheres morrem na estrada devido ao álcool.

 Portugal tem também um grande número de abstémios, com 43% da população a não ter consumido álcool nos 12 meses anteriores

Em Portugal, o combate a esta problemática cabe à  Coordenação Nacional para os Problemas da Droga, das Toxicodependências e do Uso Nocivo do Álcool que tem como propósito garantir uma eficaz coordenação e articulação entre os vários departamentos governamentais envolvidos nos problemas relacionados com a droga, as toxicodependências e o uso nocivo do álcool.

Alguns locais onde a população se pode dirigir para pedir ajuda nestas situações:

Alcoólicos Anónimos Portugal: 217 162 969

SOS – Voz Amiga: 800 202 669 (das 12H00 às 17H00 e das 21H00 às 24H00)

Linha Vida: 800 255 255 (dias úteis, das 10H00 às 20H00)

Sociedade Anti-Alcoólica Portuguesa: 21 357 14 83 (dias úteis, das 9H30 às 12H00 e das 14H00 às 18H00)

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