2014: ANO EUROPEU DO CÉREBRO E DAS DOENÇAS MENTAIS – PRÉMIO NOBEL DA MEDICINA: O GPS CEREBRAL por clara castilho

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Decorre o Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais escolhido pelo Parlamento Europeu, considerando que se trata de um problema que poderá ter causas e tentativas de intervenção comuns a alguns países da Europa. Continuamos a reflectir sobre o assunto.

Nesta rúbrica, saudemos o casal de neurocientistas noruegueses May-Britt Moser e Edvard Moser, e o norte-americano John OKeefe, que no passado dia 6 receberam  o Prémio Nobel da Medicina, pela descoberta de células que formam um sistema de posicionamento no cérebro humano. Há quem lhes chame o  “GPS cerebral”, pois “permite orientarmo-nos no espaço e demonstra a existência de uma base celular para uma função cognitiva de alto nível.

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Tudo começou em 1971, pela mão de John OKeefe, quando se descobriu a existência, no cérebro do rato, no hipocampo, de certas células que se activavam quando o animal se encontrava numa dada posição de uma sala e outras quando se encontrava noutras posições. Ora, é nesta área do cérebro  que mais se consolida a memória e as capacidades de navegação no espaço circundante.

Daí  pensar-se que essas células formavam um mapa cerebral interno do mundo exterior. Foram chamadas de “células de posicionamento” (place cells).

Foram precisos mais de 20 anos para, em meados dos anos 1990, dois jovens neurocientistas noruegueses (nascidos no início dos anos 1960) se juntarem ao norte-americano em novas pesquisas. De volta à Noruega, desenvolveram novas experiências com ratos, cujas conclusões levaram ao recente Prémio Nobel.

Sabemos que nem sempre se pode passar linearmente o que se observa em aninais, e em pessoas em situação de laboratório, mas também sabemos que, geralmente, é a partir de experiências destas que se consegue extrapolar para chegar a soluções para muitos dos problemas de saúde (física e mental) do ser humano. Podemos, a título de exemplo, referir a doença de Alzheimer.

Assim, tudo indica hoje, com base em técnicas não invasivas de visualização do cérebro humano e em estudos de doentes submetidos a neurocirurgias, que os mesmos elementos do GPS cerebral existem no hipocampo e no córtex entorinal dos seres humanos.

Pensando na doença referida, as pessoas que dela sofrem perdem o sentido da orientação e deixam de reconhecer mesmo os sítios mais familiares. Pois, as novas descobertas apontam para que sejam os neurónios de precisamente aquelas duas estruturas cerebrais estarão entre os primeiros a ser afectados.

A imagem social que corre dos cientistas de laboratório é a de “cromos”. Pois venham mais “cromos” que apontem caminhos para ajudar o ser humano.

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