2014: ANO EUROPEU DO CÉREBRO E DAS DOENÇAS MENTAIS – DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL por clara castilho

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Decorre o Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais escolhido pelo Parlamento Europeu, considerando que se trata de um problema que poderá ter causas e tentativas de intervenção comuns a alguns países da Europa. Continuamos a reflectir sobre o assunto.

E porque hoje é o Dia Mundial da Saúde Mental e em Coimbra é assinalado de uma forma diferente, com o propósito de combater “o estigma”. Pessoas com doença mental protagonizam espectáculos de teatro e dança, vamos abordar esta metodologia de intervenção com pessoas com esta problemática. Em Coimbra, serão 30 os espectáculos de teatro e dança, levados a cabo como forma de reabilitação psicossocial. É uma iniciativa do projecto Saúde Mental e Arte do Programa Nacional para a Saúde Mental. Estão envolvidos mais de 400 doentes e 29 instituições.

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Um psiquiatra e escritor – António Lobo Antunes disse algures:

“No fundo o que é um maluco? É qualquer coisa de diferente, um marginal, uma pessoa que não produz imediatamente. Há muitas formas de a sociedade lidar com estes marginais. Ou é engoli-los, transformá-los em artistas, em profetas, em arautos de uma nova civilização, ou então vomitá-los em hospitais psiquiátricos”.

Será que já  olhamos de uma outra forma para os “malucos”? Não há dúvida que a própria palavra tem uma carga negativa. Quantas vezes se ouve dizer: “olhe que eu não sou maluco(a)”. Será mais correcto utilizar o termo “perturbação da saúde mental”, pois assim quem dela padece é colocado ao mesmo nível de outras perturbações. Mas a mudança de termo não quer dizer a sua aceitação, nem a fomentação de formas de com eles lidar, nem a criação de alternativas de vida que sejam benéficas para eles e quem os rodeia e em que possam contribuir para a vida em sociedade. E, sobretudo, que possam encontrar alguma felicidade na vida, fugindo da angústia, muitas vezes avassaladora!

Uma das formas de intervir junto deste sector da população é utilizando técnicas teatrais. Por via delas, as pessoas podem pensar, pôr-se no lugar do outro, perceber as emoções que os outros sentem, sentirem-se ligados, porque percebendo o outro se percebem a si mesmos, descobrir novos talentos nas várias áreas relacionadas com uma peça: representar, fazer cenários, tratar das luzes, do secretariado, do guarda roupa… E, de não somenos importância,  aumentar a sua auto-estima.

 Os sujeitos, ao se verem em acção, nesta experiência sensorial que ali se vive, também se podem auto-observar e descobrir pensamentos e emoções, libertando-os, ao mesmo tempo que os consciencializa quanto aos seus direitos e capacidades.

Estas pessoas, que têm, assim, a possibilidade de vivenciar estas experiências, podem sair da sua situação de marginalizados, para alcançar o seu devido lugar na sociedade, com uma intervenção de cidadania que a muitos pode ensinar.

Como se diz em Um Palco é a Vida“:

 “… O teatro e a terapia conjugam-se numa mistura com grande potencial terapêutico.

No palco recria-se a vida, permitindo-nos quebrar barreiras que nos impedem, no dia a dia, de a viver plenamente.

O teatro age directamente no que é fundamental à existência de todo o Ser Humano: ter um espaço para Ser e viver os sonhos, os desejos, os medos, os fantasmas…

O teatro por ser vida é terapia.”

 

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