A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Como se de um deus se tratasse, os desígnios da Academia Sueca são insondáveis. O Prémio Nobel da Literatura, o mais prestigioso de quantos são atribuídos, talvez tenha uma fama exagerada, nem sempre é atribuído a escritores que a comunidade literária internacional preveja como vencedores. E a surpresa nem sempre é agradável. Mas então, se o resultado raramente corresponde às expectativas de escritores, críticos, académicos, editores, por que motivo continua a dar-se tanto valor a um galardão que parece ser outorgado por uma lista de motivos em que a qualidade literária não constitui uma prioridade? Quando entre um Milan Kundera, reconhecido internacionalmente como grande escritor, e um obscuro ficcionista francês, com mérito, mas sem amplitude universal, se escolhe Modiano, alguma coisa falhou. A organização não será…
Por exemplo, no que respeita à língua portuguesa, nunca acreditei que a qualidade literária de José Saramago fosse superior ao génio de Jorge Amado (e sou português!)… No meu entender a Academia Sueca praticou uma grande injustiça em relação a Jorge Amado!
Creio que é difícil comparar dois universos literários tão distantes. No entanto, Saramago nunca teria obtido o Nobel se não tivesse ido viver para Espanha e não tivesse tido uma “equipa” tão eficiente e conhecedora dos meandros que servem para intervir junto da academia sueca. Antes do Nobel, Saramago fez dezenas de conferências em universidades e outras instituições culturais espanholas, donde saía com listas de adesão entusiástica que em Portugal nunca teria tido.