SONETO NAPOLEÓNICO, de MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE

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Bocage

(1765 - 1805)
(1765 – 1805)

Soneto Napoleónico, de Manuel Maria Barbosa du Bocage

 

 

 

Tendo o terrível Bonaparte à vista,

Novo Hannibal, que esfalfa a voz da Fama,

“Ó cappados heroes!” (aos seus exclama

Purpureo fanfarrão, papal sacrista):

 

“O progresso estorvae da atroz conquista

Que da philosophia o mal derrama?…”

Disse, e em férvido tom saúda, e chama,

Sanctos surdos, varões por sacra lista:

 

Delles em vão rogando um pio arrojo,

Convulso o corpo, as faces amarellas,

Cede triste victoria, que faz nojo!

 

O rapido francez vae-lhe às cannellas;

Dá, fere, macta: ficam-lhe em despojo

Reliquias, bullas, merdas, bagatellas.

 

 

Manuel Maria Barbosa du Bocage, in

Poesias Eróticas, Burlescas e Satiricas

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