FRATERNIZAR -Sínodo: Prosseguem os debates sobre a família – por Mário de Oliveira

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MAS AS DECISÕES FINAIS SÃO APENAS DOS BISPOS!

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Regressemos, uma vez mais, ao Sínodo dos Bispos em Roma. À falta de outras notícias. Sim, porque a igreja católica romana e todas as outras igrejas cristãs protestantes são entidades com múltiplas iniciativas, mas que muito dificilmente chegam a ser notícia. As rotinas eclesiásticas em que são peritas, não são notícia. Ou o jornalismo profissional é uma batata. Nem sei como há jornalistas que se prestam a trabalhar em órgãos de informação das igrejas. Acabam todos reduzidos a escribas dos senhores eclesiásticos, seus patrões. Comidos porr tarefas que os reduzem a estéreis funcionários do religioso, à semelhança dos sacristães, dos meninos de coro, dos diáconos casados. Um ser-viver sem causas que valham a pena, sem realidade/verdade, sem entusiasmo, sem alegria, sem brilhozinho nos olhos. Sim, há todas aquelas coisas litúrgicas e todas aquelas reuniões, todos aqueles congressos disto e daquilo. Até demais. Mas é tudo faz-de-conta. Encenação. Vaidade. Auto-promoção corporativa para esconder mediocridades, esterilidades, e, em muitos casos, crimes contra terceiros que, perante tanto fausto litúrgico, acabam calados, para não serem ostracizados pelo poder eclesiástico, o mais feroz dos poderes.

Regressemos, pois, ao Sínodo dos Bispos em Roma. Desta vez, o papa Francisco caprichou e encenou, de forma inusitada, o evento que tem tudo de ostentação eclesiástica, nada de decisivo na vida da instituição, muito menos, na vida das populações. A temática em debate – as famílias e os problemas novos e velhos com que elas hoje se vêem confrontadas – prestava-se a isso, e ele não se fez rogado, naquela sua apetência em dar, da Cúria romana, a pior máfia do mundo, uma imagem de humanidade e de decência. Pode retocar a máscara. Não pode mexer na realidade que está por detrás dela. Que essa é intocável. Quem lhe tocar, cai fulminado. Tal como o Deus da Bíblia, do qual se diz nas suas páginas que quem se atrever a vê-lo, cai redondo no chão. Sem apelo nem agravo. Todo o poder é assim e as populações sabem-no na sua própria pele. Excluir/matar quem dissentir dele, é o seu princípio primeiro, para se perpetuar, geração após geração. E a Cúria romana é o poder monárquico absoluto e infalível. O único infalível. O único ortodoxo. Fora dele, só há heresia e hereges que têm de ser sacrificados, para que o poder seja o cristo invicto que sempre foi e será. Ele sabe – é omnisciente! – que se as populações crescerem de dentro para fora em humano, em sabedoria e em entrega de si umas às outras, é o seu próprio fim. E nunca permitirá tal coisa, a menos que a clandestinidade seja o modo de ser-viver dos seres humanos, ao estilo do vento que, então, nem ele sabe quais são, onde estão, e onde sopram. Porque jamais frequenta o mundo das vítimas que cientificamente fabrica.

Houve inquéritos preparatórios que foram alargados aos chamados “fiéis leigos”, uma espécie de tropa de infantaria que só existe para fazer brilhar e sustentar os clérigos, desde o mais humilde pároco de aldeia, ao mais refinado cardeal da Cúria romana e ao papa. As conferências episcopais de cada país trabalharam, depois, todas essas respostas e cortaram o que havia a cortar. Enviaram tudo para a Cúria romana que, por sua vez, cortou o que havia ainda a cortar. E agora está aí o Sínodo em duas etapas. Há grandes expectativas, por parte dos media sensacionalistas, no que respeita a decisões. Mas como assim, se tudo é decidido, em última instância, pela Cúria romana? Acham que a Cúria romana é suicida e vai avançar com decisões que a enfraqueçam? Só uma grande dose de ingenuidade nos levará a pensar semelhante. Mudarão algumas normas, apenas as necessárias, para que tudo fique na mesma. Mudarão as moscas, não os conteúdos onde elas pousam e depositam os ovos, para que a geração das moscas não tenha fim.

É bom que se saiba que o Sínodo é de bispos. Em representação das respectivas conferências episcopais. Todos eles sabem-se constantemente observados, vigiados, controlados. Debatem, por isso, com redobradas cautelas, para não caírem em desgraça. No final, redigem um documento eclesiasticamente correcto, que é enviado ao papa que a tudo preside. Para lá dos bispos, há mais presenças no Sínodo. Pessoas convidadas. Podem intervir, quando lhes for permitido. Não podem votar. O voto, depois dos debates, é exclusivo dos bispos presentes. Porém, mesmo estes, são apenas consultivos, não deliberativos. O documento final, o único que faz doutrina digna de fé, é da Cúria romana. Do seu chefe máximo, o papa. Não esqueçamos que a igreja católica romana é uma monarquia absoluta e infalível. Todos os demais membros, a começar pelos bispos residenciais, são apenas número. Sem voto deliberativo. Sem decisão. Obedientes e reverentes ao papa rei e imperador omnipotente, omnipresente, omnisciente, em matéria de fé e costumes!

O que espanta é que continue a haver pessoas que aceitem integrar uma organização eclesiástica destas. Lhe entreguem as filhas, os filhos para serem catequizados pelos seus funcionários. Procurem os seus serviços. Sustentam e até enriqueçam os seus clérigos celibatários à força. Certamente, continuam a pensar, depois destes dois mil anos de pensamento único, de anátemas, de fogueiras, de excomunhões, que não é bom saltar fora desta engrenagem. Saibam, porém, que o que não é bom é permanecerem dentro e meterem lá as filhas, os filhos recém-nascidos. Digo-lhes mais: À luz da Fé e do Evangelho de Jesus, permenecer dentro de semelhante organização monárqquica absoluta, é pecado. Porque as igrejas-poder não vêm de Deus Abba-Mãe de todos os povos. D’Ele, vem apenas a humanidade, em múltiplos povos, linguas e culturas. Fora da humanidade, não há salvação. Dentro da igreja-poder, só há alienação, por isso, perdição. Quem tiver ouvidos para ouvir que oiça!  As famílias, também!

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