PRAÇA DA REVOLTA – A ÉTICA E A MORAL – por Carlos Loures

Eugène Delacroix - La Liberté guidant le peuple

Sem ser pelas melhores razões, os problemas do Ensino estão na ordem do dia. Falámos aqui numa entrevista de Nuno Crato, concedida em 2011 à Agência Ecclesia. Nela, então respeitado pedagogo dizia que o ministério da Educação  e da Ciência devia ser implodido. Na realidade, talvez a implosão se esteja a verificar, não por acção de uma força interna e benigna, mas devido à acumulação de erros de organização que  revelam incompetência e desleixo. O ministro embrulha-se em explicações que nada esclarecem e não faz a única coisa que seria honrado fazer – uma autocrítica logo seguida de demissão. Mas o poder, mesmo este poder dos políticos que consiste em fazer o que quem manda lhes ordena que façam, este poder de mordomos, está acima da ética.

Há dias, num almoço de amigos a que podemos chamar uma tertúlia, alguém disse que a ética deveria estar no cerne de toda a aprendizagem e constituir o eixo de todo a educação e ensino.  Logo outro amigo invocou a ética que estudara como cadeira do Curso de Filosofia. Ora do que se tratava era do inverso – uma filosofia proveniente de uma forma ética de organizar a sociedade – a ética como ponto de partida. O vocábulo ética vem do grego ἠθικός (ethikos) de ἦθος (ethos), ou seja bom costume ou comportamento revelador de carácter. E não nos embrulhemos em conceitos – ética nada tem a ver com respeito pela moralidade, pois essa é moldada por princípios sociais e também por regras religiosas e tal como lei e justiça não são sinónimas, ética e moral pertencem a esferas diferentes.

Um ministro assumir o erro, mas permanecer no cargo, respeita a moral – tal como um pecador que se confessa e, tendo confessado um pecado, fica limpo. Neste governo, tornou-se regra – os erros reconhecem-se, assumem-se, como se nos interessasse alguma coisa que a ministra da Justiça, com o seu ar pomposo, assuma a responsabilidade pelo caos proveniente da incompetência e desorganização; que Crato se responsabilize ou não por todos os erros que estão a destruir a estrutura do Ensino que, não sendo perfeita, funcionava, é-nos completamente indiferente. A política de confessionário, respeitando a moral, mas insultando a ética, só tem um aspecto positivo – vai conduzir à implosão deste bando que tomou o poder na luta de gangues em que a nossa democracia se transformou.  Vota em Al Capone – abaixo Lucky Luciano…

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