CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – UM GOVERNO-CADÁVER, NUM PAÍS À DERIVA – por Mário de Oliveira

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Foram precisas 18 horas, para que o conselho de ministros se pusesse de acordo, no passado fim-de-semana, na descida virtual da sobretaxa no IRS que nunca deveria ter sido criada. Com todas essas horas a partir pedra ou a contar anedotas uns aos outros, o vice-primeiro ministro, PP, e o primeiro-ministro, PC, quiseram dar a imagem de que são um Governo esforçado, que faz o que pode e o que não pode para nos aliviar nos impostos que eles próprios sadicamente criaram e impuseram. A verdade é que este é um Governo cruel e sádico, até consigo próprio, escandalosamente incompetente. Depois de 18 horas de reunião, já completamente toldados pelo cansaço e pela cafeína, a juntar à agressividade e aos ódios de estimação com que se tratam, à porta fechada, não foram capazes de ir além de uma minúscula descida virtual da sobretaxa no IRS. Uma descida que, se chegar a passar de virtual a real, coisa altamente improvável, dada a incompetência de todo este Governo bicéfalo, em que o vice é mais primeiro do que o primeiro, e os dois são o exemplo acabado de profissionais de mentira, peritos em teatralização e em malabarismos, total incapacidade em cumprir a palavra dada, só em 2016, já depois de passadas as eleições para o Parlamento em 2015, é que as populações virão a beneficiar dela. Tudo neste Governo é virtual, faz-de-conta, encenação. Tudo se reduz a um jogo de palavras. A tragédia maior é que um Governo incompetente e virtual, como este, torna estéreis, apáticas as populações que o suportam. Somos, de dia para dia, populações cada vez menos activas, participativas. Definhamos, à míngua de afectos, de causas que valham a pena, de sonhos, de relações de proximidade, de cultura. Para cúmulo, estamos a ser, estes dias, furiosamente atacados, via grandes media, pela histeria do vírus ébola, e nem nos apercebemos que mil vezes pior que o vírus ébola, é este Governo sem princípios, sem ética, sem competência, sem rumo, sem palavra, por isso, sem honra. E ainda há quem insista em exigir a demissão da ministra da Justiça e do ministro da Educação. Quando todo este Governo é, há muito, um cadáver insepulto. E já nem coveiros políticos há com forças para o enterrarem de vez!

14 Outº 2014

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