Capítulo I
A CAMIONETA FANTASMA (1)
ANTÓNIO GRANJO
Os tiros soavam por todo o Terreiro do Paço. Ali, no mesmo local onde há catorze anos ocorrera o Regicídio, voltava a cheirar a sangue de tragédia nacional.
No Arsenal da Marinha passavam-se momentos de arrepiante pavor, com cenas de crueldade assassina raramente vistas em Portugal.
Desta vez não eram os corpos do rei e do príncipe herdeiro que estavam estendidos no chão do Arsenal.
Republicanos, fundadores do novo regime saído da Revolução de 5 de Outubro de 1910, são as vítimas escolhidas para o tenebroso festim de sangue que vai acontecer nesta noite de 19 de outubro de 1921.
O sangue da Noite Sangrenta era do tom do vermelho da bandeira republicana de 5 de Outubro de 1910. Era sangue de fundadores do regime e de homens com nome gravado na glória verde-rubro, era sangue da República, era sangue de Portugal.
A República tinha acabado de comemorar onze anos e ia já no seu trigésimo quarto governo. António Granjo chefiava pela segunda vez um elenco ministerial, sendo António José de Almeida o sexto ocupante da cadeira de Belém.
ANTÓNIO GRANJO COM MINISTROS DO SEU GOVERNO.


