EDITORIAL: O terrível pecado do voluntarismo

 Imagem2Anos 60 a 70 do século passado – quando alguém, nas reuniões partidárias que, antes e depois de 25 de Abril de 74, se realizavam por todo o País, fazia intervenções na base do «eu acho que», era frequente a acusação de voluntarismo, ou seja, de confundir os seus anseios com a realidade objectiva. A realidade objectiva era moldada pela concepção partidária do devir histórico – sobre o nosso voluntarismo prevalecia o de Mao, Henver Hodja, Trotsky…

Confundir o que se deseja que aconteça com a previsão do que vai acontecer, será um erro. Suponhamos um partido como o PCP – a análise políica está cingida a uma pressão de pressupostos múltiplos. O mesmo noutros partidos de esquerda. Na direita, a análise política é feita com base noutro tipo de pressupostos mais ligados a previsões económicas. Na esquerda, o voluntarismo está eivado de esperança no futuro, de crença na humanização do Homem, de triunfo da justiça. Na direita, prevalece um voluntarismo pragmático, onde o sistema económico vigente não é posto em causa.

Um dicionário político editado em 1075, diz no verbete «Voluntarismo»: Tendência atribuída a sectores revolucionários que incorrem no subjectivismo de dar mais inportância aos seus desejos revolucionários (decerto bem intencionados) do que às condições reais de operatividade, até ao ponto de acabarem por deformar a análise da realidade e incorrerem num comportamento político inconsequente.

Somos um barco carregado de voluntarismo. Cada um diz o que «acha». Condições reais de operatividade, não sabemos o que seja. Quanto a deformar a realidade, parece-nos uma boa definição para sonho.

E somos todos bem intencionados.

Do nosso ponto de vista, claro.

 

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