A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Jorge de Sena, sentia uma angústia crescente – A necessidade de trabalhar para além do horário normal não lhe deixava tempo para escrever – o facto de não pertencer a qualquer círculo literário ou académico limitava-lhe as possibilidades de edição do que produzia. Mas talvez o principal factor na decisão de se exilar tenha sido a sua ligação ao chamado «golpe da Sé», umamtentativa para derrubar o govrno de Salazar, na sequência da farsa eleitoral de 1958, em que a candidatura realmente vencedora, a do general Humberto Delgado, foi oficialmente vencida pela do candidato do regime – na madrugada de 11 para 12 de Março de 1959, deveria ter eclodido o «golpe da Sé», assim chamado porque os conspiradores reuniram na Sé Patriarcal de Lisboa, de que era pároco o padre João Perestrelo de Vasconcelos, um dos participantes. Militares e civis católicos, constituiam o núcleo duro da conspiração. Entre os civis, além de Manuel Serra, destacaram-se Fernando Oneto, Asdrúbal Pereira, Horácio Queiroz, Raul Marques, Jaime Conde, Pedro Bogarim, Amândio da Conceição Silva, que participaria no desvio do avião da TAP em 1961, e António Vilar, morto anos depois na revolta de Beja. Jorge de Sena, sem pertencer à cúpula, estava, no entanto, na iminência de ser preso pela PIDE. Por isso, convidado pela Universidade da Bahia e pelo Governo Brasileiro a participar no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, aceitou o convite. No decurso do Colóquio foi convidado como catedrático contratado de Teoria da Literatura, em Assis, no Estado de São Paulo. Aceitou. O seu exílio começara. Em 1961, foi ensinar Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Em 1964, defendeu a sua tese de doutoramento em Letras (Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular), tendo obtido os títulos académicos “com distinção e louvor”. A actividade docente deixava-lhe tempo livre para escrever Parte substancial do romance Sinais de Fogo e os contos de Novas Andanças do Demónio foram escritos durante os seis anos de exílio no Brasil.