NESTE DIA… JORGE DE SENA NASCEU EM 2 DE NOVEMBRO

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 VAMOS PUBLICAR EM TRÊS POSTS UM TEXTO DE HOMENAGEM A JORGE DE SENA

 

Juventude. Um sonho desfeito.

Começamos, com uma pequena nota biográfica, uma homenagem a um outro grande intelectual do universo lusófono – Jorge de Sena – poeta, ficcionista, professor universitário. Jorge Cândido de Sena nasceu em Lisboa em 2 de Novembro de 1919 e morreu em Santa Bárbara, Califórnia em 4 de Junho de 1978. Filho de Augusto Raposo de Sena,  comandante da marinha mercante, e de Maria da Luz Teles Grilo de Sena, teve, como narra no conto Homenagem ao Papagaio Verde, uma infância solitária e infeliz. O que se terá reflectido no seu carácter sisudo e  introspectivo. E também na sua capacidade de interpretar e de narrar  com rigor e com imaginação a realidade. Leitor compulsivo, escrevia, sobretudo poesia, e aprendeu piano. Foi aluno do Colégio Vasco da Gama e depois do Liceu Camões, onde foi aluno de Rómulo de Carvalho.  Na Faculdade de Ciências de Lisboa, fez os exames preparatórios, obtendo as notas elevadas. Seguindo as pisadas do pai, com 17 anos, matriculou-se na Escola Naval. Nesse mesmo ano (1937), iniciou a viagem de instrução a bordo do navio-escola Sagres.É uma experiência que narra em Sinais de Fogo, romance publicado postumamente.  

Porém, o sonho de Jorge de Sena de vir a ser oficial de marinha, gorou-se. À sua grande capacidade teórica, obtendo notas elevadas, correspondia uma fraca capacidade atlética. À época, o modelo da marinha alemã impunha o primado da destreza física e Jorge de Sena era, nesse campo, canhestro. A somar a essa limitação, o comandante embirrava com aquele cadete «intelectual» e um mesmo arrogante – eram tempos em que ao ouvir falar de cultura havia quem puxasse do revólver… Acabada a longa viagem de instrução, foi comunicado a Jorge a sua exclusão do curso «por lhe faltarem as “necessárias qualidades” para oficial». Jorge de Sena ficou desgostoso. Mas não era homem para ficar abatido.

 As primeiras obras.

Imagem1Após o insucesso na Escola Naval, Jorge de Sena optou pela Engenharia Civil. Frequentou os primeiros anos em Lisboa e concluiu o curso no Porto
em 1944. Continuou a escrever poesia, ensaios. Sob o pseudónimo de Teles de Abreu, publicou os seus primeiros poemas na revista Cadernos de Poesia, dirigida porRui Cinatti, José Blanc de Portugal e Tomás Kim. Em 1942 publicou Perseguição, o seu primeiro livro de poemas. Em 1947 inicia a sua crreira de engenheiro civil, exercendo a profissão durante 14 anos. Trabalhou na Câmara Municipal de Lisboa, na Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização e na Junta Autónoma das Estradas (JAE). Durante a estada no Porto, conhece Maria Mécia de Freitas Lopes, irmã de Óscar Lopes, crítico e historiador literário. Após um namoro, que começa em 1944, casam em 1949. Irão ter nove filhos. D. Mécia, será uma companheira infatigável, enérgica, apoiando sempre Jorge ao longo de crises e de épocas menos felizes. Por seu turno, Jorge trabalhou arduamente para poder face à despesa de uma família que não cessava de crescer – de dia trabalhava na JAE, com deslocações frequentes por todo o país. Nos poucos momentos livres prosseguia o trabalho literário – tradução e revisão de textos e, sobretudo, ia avançando nos seus originais. Por esses anos publicou entre outros, O Dogma da Trindade Poética – Rimbaud (1942), Coroa da Terra, poesia (1946), Páginas de Doutrina Estética de Fernando Pessoa (organização), 1946, Florbela Espanca (1947), Pedra Filosofal poesia (1950), A Poesia de Camões (1951). A constante perseguição política, a vigilância policial, foram-no desgastando. A tacanhez do regime salazarista cansava-o. Sair do País, exilar-se, talvez fosse uma solução…

http://www.youtube.com/watch?v=Nu4fvK9ueU4&feature=player_detailpage

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