Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota
Nota Introdutória
A Ucrânia aqui bem perto, a Crimeia nada longe, agora em Espanha, tudo isto num movimento regulado por uma ampulheta diferente e possivelmente em sentido inverso ao seguido pelas regiões a Leste.
Vem este raciocínio e este paralelismo a propósito da Espanha e da crise na Europa. Com efeito, sobre a crise na Europa iniciámos ontem a edição de uma série de textos sobre a crise na Europa. Aí referimos que da Espanha e contrariamente ao ditado popular que nos diz que de Espanha não vem nem bom vento nem bom casamento, seria de esperar agora bons ventos, os ventos da revolta, e bom casamento, a de um aliado para a revolta que também se há-de dar em Portugal. Dissemo-lo no plano lógico, mas nunca imaginámos que a tensão era já tanta como a que se descreve no texto abaixo, a mostrar que a roda da História tem o seu traçado próprio que ninguém conhece com rigor à partida mas cujo sentido é pelas populações imposto, num complexo de avanços e recuos resultantes das forças em conflito e das suas alianças. Parece que em Espanha vamos entrar numa zona de fortes turbulências e esperemos, como os americanos, que daqui resulte um avanço para o povo espanhol e para a Europa.
Júlio Marques Mota
xxxxxxxxx
A Espanha movimenta forças militares na Catalunha antes da votação ‘ilegal’ sobre a secessão no próximo fim-de-semana
Tyler Durden[1], Spain Moves Military Assets Into Catalonia Ahead Of Weekend’s ‘Illegal’ Secession Vote.
Zero Hedge, 5 de Novembro de 2014
“Tudo está preparado para o dia 9 de Novembro,” diz uma autoridade do governo regional da Catalunha enquanto a região se prepara para desafiar o governo central e o Tribunal Constitucional e realizar neste muito disputado fim de semana uma votação quanto à vontade de separação ou não da Espanha. E enquanto o governo espanhol não especifica quais são as consequências legais sobre os dirigentes catalãs , sobre os organizadores da votação e sobre os eleitores quando estes forem votar no domingo, o jornal Los Angeles Times relata que Madrid terá preparado milhares de guardas civis para viajarem até à Catalunha este fim de semana, se necessário.
Como relata o LA Times:
A região do nordeste da Espanha, a Catalunha, jurou terça-feira desafiar o governo central e o Tribunal da mais elevada instância do país e continuar a preparar a votação do próximo domingo para saber se o povo quer ou não a separação relativamente à Espanha.
Algumas horas antes, o Tribunal Constitucional da Espanha pediu à Catalunha para congelar os seus planos quanto à votação sobre a independência, cuja realização está prevista para o próximo domingo. Esta é a segunda vez que o Tribunal Constitucional emitiu uma ordem em linha com Madrid em que considera todo e qualquer voto sobre a independência da Catalunha como sendo ilegal.
Mas os dirigentes da Catalunha disseram que não voltariam atrás
“Tudo está pronto para o dia 9 de Novembro,” Francesc Homs, um porta-voz do governo regional da Catalunha, disse numa conferência de imprensa. “Nós mantemos o nosso processo de participação. Nós não poderíamos dizer isto de forma mais clara — e estamos a fazê-lo independentemente e quaisquer que sejam as consequências.”
Homs disse que o governo Catalão iria apresentar queixa sobre o governo central de Espanha “por a ameaçar o direito… à liberdade de expressão.”
O governo espanhol não especificou quais seriam as consequências legais sobre os dirigentes da Catalunha, sobre os trabalhadores que estão a organizar o processo de votação , sobre os eleitores da Catalunha que se apresentarão para votar no domingo. Mas Madrid terá preparado, segundo as informações recebidas, milhares de agentes da polícia da protecção civil para viajarem até à Catalunha este fim- de- semana, se necessário.
E com certeza, as colunas militares estão já a rodar.
A presença de colunas militares nas estradas na Catalunha, especificamente carros Pizarro tem sido constante ao longo do dia. Têm sido colunas militares nas estradas a caminho de Leida e Zaragoza, mas também de Panadella, de Llobreta e Diagonal.
Lembremo-nos que há já alguns dias vários helicópteros militares sobrevoaram algumas regiões catalãs: principalmente um grupo de seis destes distintivos helicópteros militares foram vistos no Vallès Oriental, Vallès Occidental e em diferentes partes da área metropolitana de Barcelona, de Llobregat e Alt Camp.
Assim, há jovens franceses que se estão a revoltar, há pobres na Bulgária que se estão a auto-imolar, a Espanha tem agora um partido neo-nazi… e agora os militares são necessários para controlar a população… isto soa-nos aos ouvidos como a “retoma”.
Como Mike Krieger concluiu anteriormente[2]:
Numa nota bem mais séria, os americanos precisam de compreender que a Espanha está simplesmente alguns anos há nossa frente. A questão não é o de se saber se o status quo vai ser derrubado, a questão é a de saber quem o vai substituir. Alguma coisa melhor, alguma coisa pior? O nosso principal interesse deve ser a de se assegurar que haja um melhor sistema depois desta explosão e nunca pior
Olhemos e acompanhemos cuidadosamente a Espanha durante os próximos meses. Será então um outro canário na mina de carvão para todo o mundo ocidental, um canário a avisar-nos do perigo de uma explosão eminente.
________




