CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – GOVERNOS, OU BANDOS DE MAFIOSOS?- por Mário de Oliveira

 

Os governos, constituídos pelo partido ou partidos vencedores de eleições, andam feridos de um vírus mortal. Encaram o acto de governar, como um acto de poder e de perpetuação no poder. Nunca como práticas políticas maiêuticas que estimulem as populações a crescer progressivamente de dentro para fora, para que sejam cada vez mais elas e cada vez menos eles, a terem nas próprias mãos os seus destinos e os destinos das respectivas nações. A tentação, que nem sequer chega a ser vista como tal, começa logo por reduzir a escolha dos chamados ministros e secretários de estado – até, estas designações já soam a poder, compadrio, secretismo, vaidade, privilégios, práticas mafiosas, corrupção, favores – aos membros do partido ou partidos vencedores. Como se as pessoas certas para a nobre missão de governar cada país, se confinem àquelas que integram o partido ou partidos vencedores, a começar pelos respectivos presidentes. Governos assim constituídos não olham a meios para atingirem os fins individuais e corporativos. O principal dos quais, é a perpetuação no poder. Um país não é o partido ou partidos vencedores de eleições, muito menos quando estes, para vencer, recorrem a processos, os mais ignóbeis, indignos, obscenos. As pessoas certas para a nobre missão de governar dificilmente se encontram no interior dos partidos constituídos para tomar o poder. Nem que, antes de aceitarem integrar o poder, sejam pessoas transparentes e incorruptíveis, na mesma hora em que aceitam integrá-lo, deixam de o ser. O vírus do poder é mortal. Não da pessoa que se vê – ninguém aceitaria integrar um governo, se fosse certo que morreria no acto de tomar posse e jurar o que nunca mais vai cumprir – mas da sua matriz humana, única e irrepetível, sem dúvida, o pior assassinato. Só que incruento e mascarado de sr. ministro, sr. secretário de estado, sr. presidente da República. Vejam que quem entra por essa porta, a do poder, até o seu nome humano perde! Fica só. Todas as suas decisões matam as mentes cordiais das populações. A reciprocidade. Os afectos. E tudo, com o voto das suas vítimas!
6 Novº 2014

 

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