1 Texto JF, Edição 102, Novº 2014, pasta “O mês à luz da Fé e da Teologia de Jesus”: Conselho Pontifício para a Cultura (CPC) debate “Culturas femininas e teologias feministas”
O evento é só no próximo ano, em Fevereiro. Organizado pelo CPC. As intervenções nos debates são reservadas aos membros do respectivo Conselho, entre os quais dois clérigos portugueses, o Bispo D. Carlos Azevedo, que foi auxiliar de Lisboa e teve de ser, primeiro, denegrido no seu bom nome, depois, “promovido”, para, assim, abrir as portas do patriarcado e respectivo cardinalato, a outro bispo, ido do Porto, D. Manuel Clemente. O processo foi muito doloroso e, desde então, o escolhido por Roma parece ter-se ressentido do escândalo causado e o seu papel episcopal no Patriarcado revela-se bastante discreto, enquanto no Porto era o mais mediático dos bispos portugueses. Nem o facto de ser simultaneamente Presidente da CEP-Conferência Episcopal Portuguesa o desperta. Os atropelos a terceiros para se subir na carreira eclesiástica, mais a humilhação de ainda hoje ter de estar à espera do cardinalato, deixa as suas sequelas e é difícil levantar cabeça e voltar a intervir e a sorrir, como intervinha e sorria, enquanto bispo do Porto. Os conteúdos das intervenções eram, já então, e são ainda hoje, pífios, mas faziam títulos nos media, com destaque para VP, o órgão oficioso da Diocese portucalense, que os outros não são cristãos, por isso, não têm qualquer credibilidade! O outro clérigo português interveniente nesses debates, é o Pe. Tolentino Mendonça, um dos actuais rostos mais mediáticos da igreja católica em Portugal, cujos bispos primam pela mediocridade e pela vaidade, sem qualquer substância, no que respeita ao exercício do ministério episcopal. Pelo que, como reza o ditado popular, nascido do cristianismo, e que aqui tem pleno cabimento, “Em terra de cegos, quem tem um olho é rei”. O ditado deveria dizer, quem tem um olho é presença maiêutica entre os demais e com eles, para que vejam e sejam sujeitos das suas vidas. Mas o cristianismo, de que nasceu o provérbio, só conhece o saber/poder, desconhece de todo a Maiêutica/fecundidade. É macho, patriarcal, e tem o perverso condão de masculinizar até as mulheres que se disponibilizem para o servir. Porque odeia o Feminino e a Fecundidade que nelas costumam andar bem mais acentuados. Dos clérigos do CPC, para cúmulo, presidido por um cardeal, só podia sair uma temática como a anunciada em título. Parece falar das mulheres, mas não fala. Tem o cuidado de escolher outros conceitos, muito mais abstractos, tamanho é o medo que os clérigos celibatários têm das mulheres de carne e osso. Nem a palavra “Mulheres”, querem escrever-dizer. Por isso, falam em “culturas femininas” e em “teologias feministas”. Soa-lhes bem ao ouvido, dá-lhes um ar de progressista e de abertura às mulheres, mas é tudo faz-de-conta. O cristianismo tem na sua génese o princípio masculino e sempre aparece como coisa de homens, onde as mulheres são reduzidas a zeladoras de altar, criadas de clérigos e, às vezes, também concubinas. E homens não comuns, mas homens-clérigos, separados dos demais e dos afectos, celibatários, sagrados, destinados aos santuários e aos altares, inacessíveis ao comum dos mortais, mais figuras míticas, tal e qual o seu Cristo, poder invicto, que há dois mil anos se anda a fazer passar por Jesus Nazaré, o filho de Maria, quando é o seu maior inimigo, ao ponto de fazer da cruz, o instrumento de tortura do império romano, o seu símbolo de identidade, como a deixar claro que é o torturador das populações e dos povos, ainda que sob a máscara da bondade. E não é que tem conseguido enganar, praticamente, toda a gente? Porque aquele seu histórico, Crês, ou morres!” tem um poder de submissão enorme. E os meios de tortura a que recorre, sempre que necessário – os meios físicos são os menos inofensivos – assustam até o mais audaz e quase todos acabam por se lhe submeter, para não verem o seu nome pela lama da rua ou, pior ainda, riscado dos seus registos oficiais! Desengane-se, por isso, quem pensa que deste debate promovido pelo CPC vão sair boas notícias para as mulheres. Do cristianismo, nunca vem nada de bom para os seres humanos, mulheres e homens, indistintamente. Àqueles seres humanos que aceitam integrá-lo e servi-lo, ele mata-lhes a alma e redu-los a clérigos, figuras míticas que quem está no topo da pirâmide eclesiástica pode pôr e dispor, tal como o deus do cristianismo que é perito em cilindrar a consciência de cada um dos seus membros mais destacados. No lugar da consciência, coloca a obediência e, depois, faz gato-sapato de cada qual. As mulheres serão ingénuas, se ainda esperam alguma coisa boa para elas, da parte da igreja dos clérigos. Os chamados ministérios ordenados não passam de poderes intermédios, na pirâmide eclesiástica do cristianismo/poder. Aos seres humanos, mulheres e homens, resta-lhes, por isso, fugir dos clérigos e deixar-se nascer do Vento/Sopro maiêutico de Jesus, que os fará mudar de ser e de Deus. Do Deus do cristianismo, para Deus Abba-Mãe, o de Jesus e dos povos, indistintamente. Saibam todos os seres humanos que é melhor viver, do nascer ao morrer, em estado de procura, do que ter acolhido, aceitado uma falsa resposta, um falso caminho. O cristianismo e qualquer outra religião são falsos caminhos, falsas respostas. Felizes, por isso, os seres humanos que o são até à plenitude, sem nunca cederem ao Tentador, o poder! É deles a Terra. Porque o céu é apenas um mito religioso!