“CHELAS É O SÍTIO ONDE TRABALHO, ONDE PARO PARA REFLECTIR” por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Às vezes pergunto-me o quererá o Senhor Ministro da Educação e chego sempre à mesma conclusão: criar uma escola elitista, contribuir para uma sociedade não democrática. Quando há cada vez mais ricos e cada vez mais pobres, cada vez mais o conhecimento nas “mãos” dos mesmos e a ignorância nas “mãos” dos pobres, algo vai mal no país

Como se pode educar, ensinar para a inclusão, com a barafunda que se criou durante este ano lectivo?

É verdade que não é só a barafunda na Educação, mas também na Justiça e em muitos mais Ministérios e Serviços Públicos (que deveriam ser o garante da democracia) que criam uma tempestade de areia, para nos tapar os olhos da falta de profissionalismo, da falta de exemplos de uma sociedade equitativa e portanto inclusiva.

O Senhor Ministro, seguidor de um governo cada vez mais incapaz, mais incapaz se torna num Ministério responsável pela Educação.

Senhor Ministro há limites ou “linhas vermelhas” para tudo, principalmente, para a dignidade na Educação.

Educação é conhecimento, é cidadania, é liberdade, é protecção dos mais vulneráveis, é curiosidade, é criatividade, é afecto e emoção, é saber regular os comportamentos, é tanta outra coisa… O que não é certamente o que se anda a viver no nosso país cada vez mais ignorante e pobre.

Cabe ao Governo e a cada Ministério zelar pelo bem-estar dos cidadãos e por isso me lembro das pessoas mais velhas que não trabalham porque se reformaram ou porque estão desempregadas, falo nos mais velhos que são maltratados pela própria família, falo das crianças com diferentes estádios de desenvolvimento, falo de crianças pobres, falo de crianças que vivem com um grande mal-estar físico e social, falo nos sem-abrigo, falo nos que não têm acesso aos medicamentos.

Se todos estes cidadãos fossem mais sabedores dos seus direitos, se soubessem participar activamente na sociedade, se todos os que têm mais acesso ao conhecimento, que sabem participar activamente na sociedade, não estivessem num marasmo assustador, não estivessem sentados na cadeira da indignação, acredito que o país tivesse levado outro rumo..

O silêncio destes sofredores faz-se ouvir nas consciências de cada um, mas onde está esse cada um?

O Ministério de Educação deveria ser o primeiro a preocupar-se com as crianças e jovens que andam na escolaridade obrigatória, a preocupar-se com a sua formação académica e cívica para que a sociedade seja mais justa em que todos possam participar construtivamente para derrubar outros Muros da Vergonha, o “muro do silêncio com sirenes”

Mas o Ministério da Educação não se preocupa com o futuro do país em termos de escolaridade, mas sim em termos de mercado. É preciso cortar mais uns milhões de euros? Não é difícil, corta-se no número de professores, aumenta-se o número de alunos por turma, reduz-se o corpo não docente (nunca é demais recordar esta gestão imposta pelo Ministério da Educação, pois parece que já ninguém se lembra).

Não foi para isto que muitos homens e muitas mulheres sofreram e morreram para que fosse possível viver em Liberdade.

Onde está o respeito que todos eles, e todos quantos os que os seguiram, merecem?

Mas como tudo tem o seu contrário, seria injusto não referir as muitas pessoas que continuam no caminho da Democracia, embora um pouco isolados

O caminho da Democracia é uma tarefa sempre inacabada, mas vale a pena para podermos dizer como Luther King: Tenho o sonho de um dia os meus filhos viverem num país onde serão julgados pelo carácter e não pela cor da pele. (1963, há 45 anos) e eu acrescentaria nem pela cor do dinheiro ou dos mercados!

Sam The Kid, um rapper de um bairro pobre de Lisboa, canta “Chelas é o sítio onde trabalho, onde paro para reflectir.”

Da reflexão nasce a luz….

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