O aspecto mais grave do caso dos Vistos Gold é o descrédito que lança sobre o sistema político, os seus representantes, os políticos e a vida política em geral. Há muito tempo que se fala no desdém que os portugueses têm pela política e pelos políticos em geral. Toda a gente concorda em que têm grandes e substanciais razões para tal. Haverá talvez menos acordo sobre as consequências que resultam de tal desdém.
O distanciamento da política da maioria dos cidadãos, em qualquer sociedade, não ajuda em nada a que haja maior transparência e participação nas decisões… políticas, que o são porque são tomadas por quem exerce o poder, e em princípio deveriam contribuir para a vida de todos os que vivem sob a autoridade de quem as toma. Não estando perto o dia em que a sociedade possa viver sem o estado, menos ainda o dia em que todas as pessoas se reconheçam como iguais umas às outras, em direitos e deveres, vamos continuar a ter de viver mergulhados em política, e a aturar indivíduos que pretendem tirar proveito do poder, pouco ou muito, que lhes foi atribuído para servirem o bem comum. Desde o tempo em que se passou a achar, e bem, pensamos nós, que seria necessário separar a religião da política, que se deixou de atribuir os poderes de que disfrutavam os reis e outros detentores do poder… político à vontade divina, sempre sujeita a interpretações fluídas, para não dizer obscuras. Hoje em dia é notório, e só não vê quem não quer ver, que os abusos e maus exercícios de poder, derivam sobretudo de desvios e abusos cometidos pelos seus detentores, sobrepondo aos interesses que deviam servir o interesse próprio ou de outrem com ele relacionado. Todos podem cometer erros no seu trabalho, é verdade, mas esses erros devem ser detectados e corrigidos.
É claro que o caminho passa por as pessoas, os cidadãos se aproximarem do poder para melhor o controlarem e exercerem, dentro das regras colectivamente estabelecidos. O sentido contrário, abre o caminho a aventureiros, com projectos próprios, de interesse pessoal, e ao poder de instituições não democraticamente eleitas, que, para aumentarem o seu próprio poder, procuram assumir funções que deveriam ser do estado. O tal estado que deveria ser de todos nós, primeira razão da sua existência.
Não há muito tempo deixei escrito na “Viagem dos Argonautas” que se não forem as Forças Armadas a quererem por termo à pouca-vergonha em curso, nada nem ninguém virá trazer uma qualquer solução bem acabada que responda aos interesses dos portugueses. Face ao magnifico editorial acabado de ler resta-me repetir quanto já afirmei, porquanto, parece-me ser-lhe o justo corolário. Comentar desfavoravelmente a situação política do País já não basta; é obrigatório sugerir um caminho mesmo sabendo que a opinião mais generalizada (a “partidocrata” de sobremaneira) seja-lhe bem adversa. Mais uma vez na História nacional as Forças Armadas não podem esquecer o seu juramento; têm de pronunciar-se.. Não é aceitável que tantos séculos de História, tenham ou não tantas reprimendas a fazerem-se-lhes, possam ser destruídos – destruídos intencionalmente – por uns serventuários às ordens dos interesses alienígenas.CLV
Não há muito tempo deixei escrito na “Viagem dos Argonautas” que se não forem as Forças Armadas a quererem por termo à pouca-vergonha em curso, nada nem ninguém virá trazer uma qualquer solução bem acabada que responda aos interesses dos portugueses. Face ao magnifico editorial acabado de ler resta-me repetir quanto já afirmei, porquanto, parece-me ser-lhe o justo corolário. Comentar desfavoravelmente a situação política do País já não basta; é obrigatório sugerir um caminho mesmo sabendo que a opinião mais generalizada (a “partidocrata” de sobremaneira) seja-lhe bem adversa. Mais uma vez na História nacional as Forças Armadas não podem esquecer o seu juramento; têm de pronunciar-se.. Não é aceitável que tantos séculos de História, tenham ou não tantas reprimendas a fazerem-se-lhes, possam ser destruídos – destruídos intencionalmente – por uns serventuários às ordens dos interesses alienígenas.CLV