“CANTA CAMARADA CANTA, CANTA QUE NINGUÉM TE AFRONTA” por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

O Poder, com muita facilidade, gera violência sobre aqueles que incomodam.

Falar de Poder é falar também de controlo social para legitimar esse poder que não hesita em usar a força para dar sentido à sua existência, ou seja, não hesita em recorrer à sanção para se reafirmar.

Numa sociedade em que a população vive com medo do desemprego, da fome…é fácil exercer o Poder, mesmo contra os que já foram poderosos.

O Poder exerce sempre a sua “missão” mais violenta contra os mais fracos, os fragilizados, os mais vulneráveis e mais indefesos, exerce a sua “missão” mais violenta para regular comportamentos. Para provar que o Poder está alerta e não tolera fraudes, nem comportamentos ilícitos, faz encenações com personagens públicas.

Por vezes, esses comportamentos são insinuados, sem fundamento conhecido.

Que fraudes, que comportamentos ilícitos?

Muitas vezes nunca se chega a saber, a não ser que os visados tenham personalidades e convicções fortes para se defenderem.

Quando alguém é frontal e sabe, porque também já foi poderoso, que se constroem processos kafkianos não só para desacreditar uma vida, uma liderança, mas também para fazer com que as atenções das populações se esqueçam do que realmente está a acontecer-lhes: o desemprego, os salários baixos, o constante aumento de impostos, a fome, a doença, a educação, a justiça, a falência dos bancos…

Os meios de comunicação social vão enganando a sociedade com notícias que não se sabe muito bem de onde vieram, vão fazendo as suas interpretações de factos que não conhecem, acabando por fazer um julgamento popular doloroso de ser aceite.

Os fazedores de opinião condicionam a opinião pública e, a partir de certa altura, já ninguém sabe o que está a julgar, sabe apenas defender o comentador que lhe é mais credível.

A violência não é só agredir fisicamente alguém é essencialmente o uso da força destinado a uma coacção, como a privação da liberdade. O Poder tem medo da liberdade de expressão dos pensamentos porque facilmente é posto em causa.

O Poder precisa de justificar a sua existência e, por isso, escolhe sempre situações de instabilidade social para se fazer sentir.

Quem tem o poder exerce-o pela ameaça, pela difamação, por retirar o bem-estar a outrem privando-o da sua liberdade.

O Poder passa e os cidadãos ficam para o julgar.

Canta camarada canta

canta que ninguém te afronta” Zeca Afonso.

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