O arquitecto Francisco Keil do Amaral (1910-1975), que desde 1938 foi arquitecto-urbanista da Câmara Municipal de Lisboa e, neste âmbito, projectou algumas das obras mais emblemáticas da capital, apesar de ter contra si as antipatias do regime da ditadura (cujos modelos de urbanismo criticou e combateu), impunha-se aos seus próprios inimigos pela sua rigorosa postura cívica.
No apogeu da sua carreira, vinha a Évora com frequência motivado pelo projecto de
reconstrução de uma antiga casa de espectáculos denominada «Salão Central». A obra veio a ser efectivamente inaugurada em 1945 e resultou de facto num exemplo paradigmático para este tipo de construções, considerando o centro da cidade carregado e património e muito difícil de contornar a sua secular malha urbana. Tanto na utilização dos materiais de construção como no recorte do conjunto do edifício e suas volumetrias, integradas na área de um pátio renascentista (Pátio Salema / Rua de Valdevinos), tudo se concluiu com feliz e engenhoso resultado, integrando-se o imóvel no local e na cidade. Do ponto de vista sentimental, o «Salão Central Eborense» é marco de identidade de mais de uma geração de eborenses, que na sua adolescência sentados na sua plateia, tiveram o primeiro contacto com o mundo do Cinema.
O «Salão Central Eborense» (edifício hoje municipalizado, mas arruinado e esquecido!) figura em vários manuais de arquitectura nacional sobre o período pós-II guerra mundial, enquanto exemplar de merecida referência técnica.
