“BRUNDIBÁR”- DE 1944 a 2014 – PODE A ÓPERA AJUDAR AS CRIANÇAS A PENSAR A PROPOTÊNCIA E O SOFRIMENTO? por clara castilho

BRUNDIBÁR, ópera para crianças de Hans Krása (1899-1944), está no Teatro S. Carlos, em colaboração com a Escola de Música do Conservatório Nacional, com o impulso (criatividade, e competência!) de Bruno Cochat (encenador).

Penso que a ópera já foi apresentada no Porto, por altura da “Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura”pois encontrei um documento que nos conta a história desta ópera e que vos comunico.

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“BRUNDIBÁR” é o título de uma ópera, composta para crianças por Hans Krása, nascido em Praga em 1899 e executado em Auschwitz em 1944.

A ópera foi introduzida no Campo de Concentração de Terezin pelo próprio compositor – também ele alvo da bestialidade nazi, pela sua origem semita e pelo seu posicionamento político.

Terezin era um campo de concentração, para onde o nazismo encaminhava artistas e intelectuais que, sob ameaça, se exibiam nos espaçospúblicos ou mesmo nas suas salas de espectáculo, travestindo um campo de concentração genocida em colónia de férias oferecida por Hitler ao Povo Judeu. Foi essa imagem idílica de Terezin que se fixou no cinismo do filme de promoção do regime, “Der Führer schenkt den Juden eine Stadt” (O Führer Oferece uma Cidade aos Judeus) ou que foi mostrada ao Comité Internacional da Cruz Vermelha em visita ao campo. Os que sobreviviam às duras condições e à sobrelotação de Terezin seguiam depois para Auschwitz onde eram executados.

Tentando resistir e sobreviver pela Arte, os intelectuais e artistas prisioneiros estimulavam a prática artística no Campo, com especial atenção às inúmeras crianças lá existentes. Os adultos tentavam estimular-lhes a criatividade nas várias artes, muitas vezes clandestinamente, pois a obtenção simples de papel e lápis podia custar a vida. Dessa actividade chegaram até nós tocantes poemas e desenhos feitos por pequenos mártires de Terezin.

Krása, integrando-se nesta filosofia, procedeu à revisãode “Brundibár”, adaptando a ópera aos instrumentos existentes entre os músicos prisioneiros e iniciando em seguida os ensaios com as crianças.

Em Terezin a ópera BRUNDIBÁR teve diferentes elencos – progressivamente substituídos conforme as crianças eram evacuadas para Auschwitz – e foi apresentada 54 vezes, na presença das

autoridades. A 55ª récita teve de ser cancelada por falta de cantores…

Entretanto, nos dormitórios e nos corredores das exíguas instalações, produziu-se vezes sem conta, confortando crianças separadas dos pais, animando grandes e pequenos na ténue esperança

da vitória dos mais fracos, instilando a todos o sonho, apesar do pesadelo do dia-a-dia.

Brundibár era o nome do terrível tocador de realejo que monopolizava a rua, impedindo dois irmãos de nela poderem pedir algum dinheiro para assistir a mãe doente. Lideradas por animais domésticos,

todas as crianças da rua uniram-se aos dois irmãos, vencendo e expulsando Brundibár”.

Lisboa, Teatro Nacional de São Carlos. 

Libreto – Adolf Hoffmeister; Versão portuguesa do libreto – Zaida Rocha Ferreira e Cesário Costa

4 às 15 horas (escolas)/ 5 às 11 horas e às 15 horas (escolas)

6 de Dezembro – às 11 horas e às 15 horas

Encenação Bruno Cochat e Ruben Santos / Orquestra Sinfónica Portuguesa

Direcção coral Teresa Cordeiro / Direcção de orquestra Francisco Sequeira / Desenho de luz Paulo Sabino / Elenco Alunos do Atelier Musical  da Escola de Música do Conservatório Nacional

 

1 Comment

  1. Brava Clara Castilho,
    bem que eu gostaria de ver e ouvir essa ópera tão dilacerante de tão triste!
    Desejo muito sucesso aos que a montaram e exibem. E que muita gente vá assistir!
    abraço da
    Rachel

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