É verdade que a Europa foi vista em tempos, daqui de Portugal, como a nova árvore das patacas. Isso aconteceu sobretudo nos governos de Cavaco Silva, e ainda de António Guterres, para ir em decrescendo pelos governos seguintes. À sombra dessa crença, desarticularam-se importantes sectores da economia nacional, como por exemplo a marinha, ou as pescas, por causa da integração europeia. Hoje em dia, só para referir aquele exemplo, fala-se muito da necessidade de o país crescer, de aproveitar a sua zona económica exclusiva, que se estende por mais de um milhão e meio de quilómetros quadrados. Há um evidente desfasamento entre o que se constata actualmente, e aquilo que se fez no passado, para agradar aos líderes europeus.
Em dias recentes, têm chegado notícias de que a Comissão Europeia “alertou” Passos/Portas, relativamente ao Orçamento para 2015, de que seriam necessidade medidas suplementares para, no próximo ano, conseguir manter o défice abaixo de 3%. Está-se a ver, despedimentos de funcionários, mais cortes em salários e pensões, etc. O governo parece ter sido colhido de surpresa, e parece querer tomar a posição de resistir às exigências europeias. Podemos acreditar ou não, mas não podemos esquecer que, para o ano, vai haver eleições para o parlamento. E que Costa, goste-se ou não dele, não parece disposto a facilitar.
A maior parte dos portugueses já não acreditará que a Europa é a árvore das patacas. Sente-se entretanto que tomou grande ascendente sobre nós, embora não se saiba em pormenor como esse ascendente se concretiza. Por esse exemplo, qual foi realmente o papel das instituições europeias no caso Espírito Santo? A integração europeia ainda tem um longo caminho para andar, mas tem sido anunciado que a integração bancária é a fase actualmente em curso, a começar pela supervisão. Contudo, as questões que têm rebentado (julgamos que o termo não é exagerado) continuam por resolver e não se percebe qual terá sido o papel das referidas instituições europeias. A proximidade da referida integração talvez tenha feito sentir aos responsáveis portugueses a necessidade de esclarecer muitas coisas a nível nacional, o que poder ajudar a explicar alguns dos últimos acontecimentos, no Espírito Santo e não só. Contudo, continua-se sem perceber qual o papel que a União Europeia tem tido nestas questões. Terá sido só o de exigir despedimentos e cortes em salários e pensões? E privatizações?

