Uma janela aberta ao azul celeste na esperança do amanhã.
A cidade reflectida nas águas de um rio de margens mais largas ou estreitas na corrente do pensamento.
O sol ao rubro esperando a lua na silhueta roxa do entardecer.
O fundo negro da noite cobrindo o casario com salpicos de cor. À volta a canção do moinho escrita por um menino na flor da farinha.
O poema de um abraço que não cabe na imensidão do luar.
Um sonho de meninos brancos caídos de um céu estrelado feito luz no mundo da infância.
O vermelho rutilante da fantasia abrindo as asas da poesia.
Um casal de amantes nas cores mais fortes do amor.
O eco do encontro estético nas palavras:
Obrigada.
Trago-vos um anjo cor de fogo.
Tem nas mãos um raminho de flores.
Um símbolo.
O anjo da vossa criação.
Pendurei o anjo e as flores no topo da minha árvore de Natal cheia das bolas e bonecos que acordei nas caixas onde dormem anos a fio.
Nunca deixo nenhum deles lá dentro.
Desde criança que todos os anos vêm passar o Natal comigo.
Mesmo os mais gastos ou desajeitados têm na árvore ou no presépio o seu lugar.
Para o ano há mais um anjo cor de fogo.

