CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – JUNTA-TE A ELES! – por Mário de Oliveira

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Quando não os podes vencer, junta-te a eles. É por demais conhecido, este aforismo. Só não nos dizem que é exclusivo do léxico do Poder. Pelos vistos, vai concretizar-se, mais uma vez. Agora em Cuba, a de Che-Fidel, ultimamente, de Raúl. O bloqueio dos EUA caminha para o fim, fruto de um acordo entre os dois estados. Cuba é de novo apanhada/comida pelo império. O velho Baptista que a revolução armada derrubou, está de volta. Com outra máscara, outro nome, outro agente. Não há revolução armada que vingue na história. Têm sido muitas e para todos os gostos. Acabam todas convertidas em poder, a ser derrubado por outra revolução. O processo parece enfraquecer o poder. Reforça-o ainda mais. O poder nunca morre. É sempre novo, enquanto houver seres humanos, nascidos de mulher, que se lhe vendam como seus escravos de luxo, seus concubinos ou prostitutos políticos, financeiros, religiosos. O velho aforismo, Junta-te a eles!, não existe no léxico dos seres humanos, dos povos que o são cada vez mais de dentro para fora. Juntar-se ao império, nos sucessivos impérios, é o destino de todas as revoluções armadas. Não matam o poder. São poder melhor organizado, melhor estruturado, por isso, vencedor. Porventura, minoritário, mas vencedor. Esta é a falha mortal de todas as revoluções armadas. Ajudam o poder a rejuvenescer. Não mudam as mentes-consciências dos seres humanos, dos povos. Mudam os agentes de turno do poder. Cuba, a de Che-Fidel, volta a juntar-se aos EUA. Fidel Castro, ainda sobrevivente, torna-se um ícon mais, que as novas gerações, todas súbditas do império que domina o mundo, vão conhecer nas aulas de história, e idolatrar. Só a revolução desarmada que, dia e noite, sem os próprios saberem como, germina e cresce na mente-consciência dos seres humanos, dos povos, é verdadeira revolução. Não vence o poder. Mata-o à fome, ao recusar continuar a dar-lhe agentes activos e vítimas, com que ele se alimenta. Utopia? So o léxico do poder conhece semelhante palavrão politicamente desmobilizador!

18 Dezº 2014

 

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