AS RAZÕES DA CRISE NA EUROPA. ANÁLISE DO CONTEXTO GLOBAL E DAS RESPOSTAS POSSÍVEIS À DRAMÁTICA SITUAÇÃO ACTUAL – 7. O PARTIDO DEMOCRÁTICO E A DERIVA OLIGÁRQUICA, por NICOLA MELLONI

Falareconomia1

Selecção, tradução, notas  e organização por Júlio Marques Mota

mapa itália7. O Partido Democrático e a deriva oligárquica

Nicola Melloni, Il Pd e la deriva oligarchica

Esseblog, 04/11/2014

 

A coincidência temporal entre a manifestação da CGIL e a festa Leopolda de Renzi tem um simbolismo muito forte. Pela primeira vez, mesmo visualmente, o corpo da velha esquerda se quebra, se mostra dividido.

A coincidência temporal entre a manifestação da CGIL e a Leopolda de Matteo Renzi tem um simbolismo muito forte: pela primeira vez o sindicato de referência da esquerda italiana se manifestou massivamente contra um governo que é “amigo”, e isto, na verdade, enquanto o Secretário-Geral do Partido Democrata estava a organizar a sua nomenklatura em Florença, com um olhar entediado sobre a Praça de Roma.

Pela primeira vez, mesmo visualmente, o velho corpo da esquerda se fragmenta, militantes por um lado, o grupo que dirige, por outro. Não há aqui nada de surpreendente, no fundo, a distância entre a praça e um palácio é filha de 25 anos de deriva política; nem pode surpreender que uma manifestação tão grande se produza de facto quando os filiados no PD se situam já nos seus mínimos históricos. Este partido, agora é claro, já não é um partido de militantes – e bem o sabem, na verdade, estes últimos Japoneses das Festas da Unidade que devem colocar o símbolo sobre os pavilhões (“geridos por voluntários”) para se diferenciarem dos revendedores das máquinas de lavar e dos donos dos restaurantes privados.

Na verdade, assim, o Partido Democrático não é mais um Partido no sentido de que nós conhecemos, pelo menos na Europa. É uma formação eleitoral que nasce e vive nas eleições, em que não há pois nenhuma diferença entre inscrito e eleitor. Em vez de ser um partido é um comité eleitoral nas mãos de Renzi, o homem que realizou o sonho de Veltroni: um partido de vocação maioritária, de facto, um partido da nação que contenha tudo e o contrário de tudo. A militância, deste ponto de vista, é um obstáculo óbvio; o militante crê, acredita em algo, que uma ideia atacou o partido, talvez até mesmo uma visão do mundo; o partido da nação, pelo contrário, centra-se num cidadão eleitor descartável, de acordo com as oportunidades e circunstâncias do momento. Se recuarmos a alguns meses atrás, este cenário já era claro: o partido democrático teve 41% mas perde Livorno, Perugia, sinalizando a descolagem definitiva entre a base (que rejeita esta política) e o eleitorado (que vota Renzi).

Era, pois, inevitável, finalmente um redde rationem sobre a diferença entre o partido – ou o que dele resta – e o sindicato que, pela sua própria natureza, é, na verdade, feito por militantes que devem ser tranquilizados, possivelmente envolvidos em cada caso defendidos.

Renzi, em vez disso, desde o início, preferiu as convenções, com os convidados, os amigos e as estrelas dos palcos por ele convidadas, e que com aquela militância, com aquela comunidade do partido ninguém tem nada a fazer: basta pensar na presença de Zingales[1] e, especialmente, de Davide Serra[2] que se atirou contra o direito à greve enquanto a Federação Sindical CGIL estava repleta daqueles que ainda uma vez – e talvez sempre – eram ainda militantes do Partido Democrata.

Trata-se de uma deriva oligárquica disfarçada habilmente de um laboratório de ideias. O fim da militância significa o fim da participação, situação esta ocultada pelo recurso contínuo às primárias em que se decide pouco ou mesmo nada. Os congressos tornaram-se simplesmente assembleias coroando um líder e a baixa dos inscritos como militantes simplesmente significa que o partido está a perder a sua correia de transmissão e de ligação com a sociedade: deixa de interpretar as necessidades, não a mobiliza e assim não dá força à própria política.

E assim o lugar de decisão política deixa de se tornar público para passar assim a ser privado. Como o sublinharam Civati e Fassina os eleitores do PD em 2013 não votaram para a supressão do artigo 18. º, mas isto a Renzi não interessa nada. Para este político, a sua eleição – e ainda mais os seus 41%, são uma investidura na pessoa e não na política, uma delegação para comandar, uma delegação de facto “pedida” ao Parlamento para legislar à vontade sobre o mercado de trabalho. Ele irá discutir, no máximo, com amigos, colaboradores, “especialistas”, um pouco como na Leopolda. A mutação genética é assim chegada à sua conclusão, e o partido da nação é já uma realidade. Um partido que vai para além da esquerda, em suma, que vai para além da democracia; que existe apenas como uma ferramenta nas mãos do líder e a fortiori, do primeiro-ministro de serviço.

Renzi - XLIX
Manifestação em Roma, 25 de Outubro de 2014. Militantes da central sindical protestam contra a reforma do mercado de trabalho do primeiro-ministro Matteo Renzi (Photo FILIPPO MONTEFORTE. AFP)- –

Com Renzi fecha-se definitivamente o círculo aberto do fim do PCI: aquela Piazza não tem nada a ver com aquele Palazzo. Não se trata de um problema da velha e da nova esquerda, trata-se de um problema de horizonte político completamente diferente, trata-se de um problema de defesa de um grupo de interesses, trata-se de um problema de uma parte (o partido!) contra a ultrapassagem da outra parte, e por conseguinte, a sua própria anulação. Para quem acredita ainda na defesa do trabalho, dos fracos, para quem acredita ainda nas razões da existência da esquerda, para quem aquela Piazza se organizou e se encheu, é chegada a hora de nos e de lhe darmos conta.

http://www. esseblog. it/tutti-gli-articoli/quella-piazza-e-quel-palazzo/

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[1] De Wikipédia e não traduzo, mais uma vez:

“Si è laureato in economia summa cum laude nel 1987 all’Università Bocconi di Milano, ottenendo poi un Ph.D. in Economia dal Massachusetts Institute of Technology nel 1992. È membro di numerosi think tank e centri di ricerca americani ed europei, in passato ha collaborato con l’ONU in tema di microfinanza ed ha diretto la American Finance Association[1]. Nel 2003 ha vinto il premio Bernácer per il miglior giovane economista europeo.

È editorialista per il Sole 24 Ore[2] e ha una rubrica sul settimanale L’Espresso. Inoltre, siede come amministratore indipendente nel consiglio di amministrazione di Telecom Italia[3]. Nell’ottobre del 2011 ha partecipato alla “tre giorni” organizzata da Matteo Renzi alla Leopolda di Firenze, chiamata Big Bang[4].

È nominato dal Governo Renzi nel nuovo C.d.A di ENI.

[2] Sobre este personagem deixemos tranquilamente falar alguém em Wikipédia :

“Laureato con 110 e lode all’Università commerciale Luigi Bocconi,[1] ha ottenuto un Master’s in International Management del CEMS presso la Louvain School of Management.[3]

Nel 1995 si trasferisce a Londra, dove lavora per UBS fino al 2000,[3] prima di entrare nel 2001 alla banca d’affari Morgan Stanley, dove è diventato direttore generale e coordinatore della ricerca globale sulla finanza.[1][3][4]

È stato premiato come “Young Global Leader” dal Forum Economico Mondiale.[5]

Nel 2006 ha fondato, insieme al francese Eric Halet, il fondo speculativo Algebris, di cui è amministratore delegato.[1][3] Nel primo anno di attività il fondo è cresciuto da circa 700 milioni a quasi 2 miliardi di dollari gestiti, assicurando agli investitori un guadagno del 40%,[4] e ha chiuso con oltre 12 milioni di euro di utili.[1]

Nel 2007 una sua domanda a Rijkman Groenink, amministratore delegato di ABN AMRO, nel corso dell’assemblea degli azionisti lanciò la più grande scalata ostile a una banca della storia, che si concluse poi con le dimissioni di Groenink e la vittoriosa OPA lanciata dal consorzio formato da Royal Bank of Scotland, Fortis e Banco Santander Central Hispano.[4][6]

Tra il 2007 e il 2008 Serra è stato inoltre protagonista di diverse critiche nei confronti dei vertici delle Assicurazioni Generali: dapprima, nell’autunno 2007, tramite Algebris scrisse una lettera aperta molto critica sulla gestione della compagnia, criticandone le performance in Borsa, le remunerazioni dei manager (in cui era troppo elevata la componente fissa) e i conflitti d’interesse con Mediobanca.[7] Nell’aprile 2008 Serra torna all’attacco del presidente Antoine Bernheim, scrivendo alla Banca d’Italia e all’ISVAP per contestare la lista presentata da Edizione Holding (la finanziaria della famiglia Benetton) per il collegio sindacale, causandone quindi il ritiro.[4][7] A luglio 2008, infine, tornò a criticare ancora la strategia di investimento di Generali (in particolare per quanto riguarda le operazioni Telco, RCS MediaGroup, Autogrill e Banca Carige), considerata troppo vicina agli interessi di Mediobanca e poco invece remunerativa per i soci, oltre che poco trasparente e lungimirante.[1][7]

Attività politica[modifica | modifica wikitesto]

Dichiaratosi da sempre elettore del centrosinistra,[8] in occasione delle primarie del 2012 ha sostenuto la campagna elettorale di Matteo Renzi, organizzando per lui una cena di finanziamento a Milano.[9] Le sue considerazioni negative sull’altro candidato Pierluigi Bersani indussero quest’ultimo ad una piccata risposta (“Direi che qualcuno che ha la base alle Cayman non può permettersi di dare giudizi”). Tale affermazione fu oggetto di querela da parte di Serra, archiviata su richiesta del PM con la seguente motivazione: “La sede in un paradiso fiscale non è un illecito, ma è un fatto che si assoggetta alla critica di appartenere a una legislazione non trasparente”.[10]

In seguito alla sconfitta di Renzi, ha quindi deciso di votare Mario Monti alle politiche del 2013.[11]

È tornato infine a sostenere Renzi nella campagna vittoriosa per le primarie del PD del 2013, intervenendo il 26 ottobre alla quarta edizione dell’assemblea alla Stazione Leopolda di Firenze.[12][13]

Tra le misure che Serra propone ci sono il taglio della spesa pubblica,[5][9] l’abolizione di Senato e province[5] e l’accorpamento dei piccoli comuni,[9] l’aumento delle aliquote sulle rendite finanziarie per abbassare le tasse sul lavoro,[5][9] il taglio delle cosiddette “pensioni d’oro”,[5][9] la semplificazione del sistema tributario[5] e la lotta all’evasione fiscale[5]. Al contrario i detrattori lo accusano di aver instaurato un sistema societario complesso all’estero, sistema non realizzabile in Italia, ma consentito in Gran Bretagna dove ha sede il cuore del gruppo Algebris, in base al quale la tassazione sui dividendi risulterebbe essere vantaggiosa rispetto a quella consentita in Italia[14].

Partecipando alla quinta edizione della “Leopolda”, svoltasi in concomitanza temporale con la manifestazione indetta dai Sindacati a Roma contro il DdL di Riforma sul lavoro (Jobs Act), si esprime in favore di una limitazione al diritto di sciopero nella Pubblica Amministrazione, affermando che lo stesso strumento è causa di maggiore disoccupazione[15]. Tale affermazione fa insorgere le organizzazioni sindacali, che per bocca del Segretario Generale della CGIL Susanna Camusso parlano di un Governo assoggettato ai “poteri forti”, costringendo ad una presa di distanza da Serra da parte del Ministro Marianna Madia e del sottosegretario Graziano Delrio, nonché di vari esponenti del Partito Democratico[16]”.

Nada a crescentar, para percebermos quem são as nossas elites aqui ou algures: o panorama é todo ele o mesmo.

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