Os proprietários de terrenos no Montijo têm que ser competitivos para captar investimento
Em 1999 escrevi num artigo de opinião que está publicado em livro que dizia o seguinte:
“As baixas taxas de juros, em muitos casos ainda bonificados, e as facilidades concedidas por todos os bancos, deram origem a uma grande procura de habitações que conduziu a um crescimento dos preços muitos superiores à inflação, o que originou, por sua vez, uma procura de terrenos para construção a preços de tal maneira especulativos que faz lembrar o que eu ouvia dizer em criança sobre a procura de volfrâmio no tempo da guerra.
A situação que se vive no mundo da construção é de grande euforia. Tudo o que se constrói está vendido e com grande lucro. Será que esta situação poderá manter-se por muitos anos? Eu não acredito. A especulação e o mercado , seja qual for, têm os seus limites. Uma crise num sector económico com a importância da construção civil, poderá ter graves consequências na área do emprego. Portanto, é necessário que o poder político preste atenção especial para o que se está a passar, de modo a que as consequências não sejam tão gravosas. “É melhor prevenir do que remediar”.
Eu sabia que ia acontecer uma crise muito grave na construção, não sabia era quando, mas nunca pensei que fosse tão grave para a vida de tanta gente.
Faliram milhares de empresas e ficaram sem emprego centenas de milhar de trabalhadores em toda a fileira da construção. Milhares de pequenos sub empreiteiros ficaram sem o emprego e sem subsídio de desemprego, porque não descontavam para a Segurança Social, assim como muitos dos seus trabalhadores que ganhavam um salário bruto sem descontos. Passados 4/5 anos ainda existem milhares de trabalhadores desempregados de longa duração sem qualquer subsídio.
Foi de facto um grande desespero para estas pessoas. Muitas delas emigraram para não morrerem de fome.
O desastre económico não atingiu só o emprego, atingiu também o valor do património de muitos pequenos e médios proprietários de Montijo, que viram o valor das suas propriedades urbanas reduzidas para cerca de metade e os terrenos agrícolas urbanizáveis voltaram a ter só o valor agrícola, porque ninguém os quer para construção.
Os bancos também são proprietários no concelho de Montijo de terrenos e armazéns de fábricas que estavam hipotecados e que as empresas faliram, assim como terrenos urbanizados para construção de habitações. Os bancos em diálogo com a Câmara têm que encontrar soluções para que este património sirva para captar investimento para o concelho.
Com a emigração de casais jovens, a fraca natalidade e a possível restauração de centenas de casas na zona antiga da cidade, a tendência para o futuro se não fizermos nada para o alterar é existirem muitos mais casas que famílias.
Isto, está tudo ligado. Se existir um forte investimento no concelho e emprego razoavelmente remunerado, valoriza o património urbano da cidade e das freguesias. Ganham todos.
Temos todos que nos mobilizar para que haja investimento local, nacional ou estrangeiro no Montijo e contribua para a criação de emprego.
Para sairmos do impasse “pelo nosso próprio pé” temos que ser um concelho competitivo, facilitador dos investimentos. A cidade de Montijo está situada na Área Metropolitana de Lisboa,a vinte minutos da capital do país, o concelho tem uma grande área agrícola e florestal, temos boas acessibilidades, recursos humanos em quantidade e qualidade, pequenos e médios empresários empreendedores, temos uma excelente qualidade de vida e segurança nas zonas urbanas. As diversas classes sociais que aqui coabitam estão perfeitamente integradas nas zonas habitacionais da cidade. A nossa história mostra bem que a população da nossa Terra foi capaz de sair por cima numa crise ainda maior do que aquela que vivemos hoje.
Os proprietários dos prédios devolutos e dos terrenos urbanizados e urbanizáveis, não podem ficar à espera que eles se valorizem, porque o mundo mudou e a tendência é para desvalorizar ainda mais. Se continuarem à espera como até aqui, podem é deixar problemas aos herdeiros e não valores.
Temos todos que nos mobilizar para que haja investimento e emprego no nosso concelho. Até agora os investimentos têm aparecido, mas para que apareçam mais investidores é preciso exercer influências e ir à procura deles no país ou no estrangeiro.
A Câmara, as Associações empresariais, os Sindicatos, os Partidos Políticos com representação no concelho, os profissionais liberais e os proprietários de terrenos e prédios devolutos, as imobiliárias, tem que falar mais, para que todos tenham consciência do que se está a passar, pois existem por aí muitas pessoas convencidas que o valor do património vai subir dentro de pouco tempo.
É preciso que conste no mercado, junto dos investidores, que o Montijo é competitivo no preço dos terrenos para a indústria, comércio e serviços e que a nossa Câmara facilita em tempo útil a aprovação dos projectos.
O Plano Director Municipal de Montijo (PDMM) aprovado em 1997, tem uma grande zona industrial nas freguesias do Afonsoeiro e Alto Estanqueiro/Jardia. Em 17 anos foram construídas meia dúzia de fábricas e a quase totalidade dos terrenos estão à espera que se valorizem. Nem são urbanos nem agrícolas e não são competitivos porque os investidores encontram terrenos a preços mias reduzidos noutros concelhos.
Ninguém ganha com esta situação. Perdemos todos e os proprietários são quem perde mais.
José Bastos

